Aena, estatal espanhola, vai gerir Galeão após ágio histórico | Diário do Porto


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Aena, estatal espanhola, vai gerir Galeão após ágio histórico

Empresa que comprou o Galeão por R$ 2,9 bilhões em leilão, tem 17 aeroportos no Brasil, incluindo o de Congonhas, em SP, o segundo do país

30 de março de 2026

Em 2025, o Galeão registrou 17,9 milhões de passageiros — crescimento de 23,4% em relação ao ano anterior (foto: Agência Brasil / Fernando Frazão)

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A estatal espanhola Aena venceu nesta segunda-feira (30) o leilão de venda assistida do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão com uma proposta considerada acima das expectativas do mercado, ao oferecer R$ 2,9 bilhões pela concessão — um ágio de 210,88% sobre o valor mínimo de R$ 932,8 milhões. O resultado reforça o interesse estratégico da companhia no Brasil e abre uma nova etapa para o principal aeroporto do Estado do Rio, cuja operação ficará sob comando da estatal espanhola até 2039.

O leião, realizado na Bolsa de Valores de São Paulo e conduzido pelo Ministério de Portos e Aeroportos, contou ainda com propostas da Zurich Airport e do consórcio RIOgaleão, atual controlador do Galeão. A operação marca a saída definitiva da atual concessionária — formada por Vinci Compass e Changi Airports — e também da estatal brasileira Infraero, que detinha participação de 49% no aeroporto. A transferência ocorre por meio de um modelo de relicitação negociado com o Tribunal de Contas da União, com ajustes contratuais para tornar o ativo mais atrativo ao mercado.

Entre as mudanças estão a substituição da outorga fixa por um pagamento variável de 20% da receita até 2039, o fim da obrigação de construção de uma terceira pista e a criação de um mecanismo de compensação relacionado ao Aeroporto Santos Dumont, cujo perfil operacional influencia diretamente a demanda do Galeão.

A entrada da Aena ocorre em um momento de retomada gradual do movimento no aeroporto. Em 2025, o Galeão registrou 17,9 milhões de passageiros — crescimento de 23,4% em relação ao ano anterior —, mas ainda muito abaixo da capacidade estimada de 37 milhões anuais. Atualmente, o terminal opera cerca de 450 voos diários, entre rotas domésticas e internacionais.

A Aena já possui presença relevante no país, onde administra 17 aeroportos e responde por cerca de 20% do tráfego aéreo nacional. Entre seus principais ativos está o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o segundo mais movimentado do país. A experiência recente da estatal espanhola em Congonhas, com investimentos em modernização e requalificação da infraestrutura, é também esperada no Galeão.

O controle simultâneo de dois aeroportos estratégicos — um focado em voos domésticos de alta densidade, como Congonhas, e outro com vocação internacional, como o Galeão — é uma experiência inédita no Brasil e vai exigir o acompanhamento dos órgãos de controle e da sociedade. A tendência que vinha tendo o Galeão nos últimos dois anos era de reposicionamento como hub internacional, ampliando conexões e melhorando a experiência do passageiro, a partir da transferência para este terminal dos voos domésticos do Santos Dumont.

O ágio elevado no leilão sinaliza que a Aena não vai querer mudar essa tendência, reforçando uma aposta na recuperação da demanda aérea e no potencial de crescimento do Rio de Janeiro como porta de entrada internacional. O que se espera é que a empresa impulsione investimentos, para elevar o padrão de serviços e reativar a capacidade ociosa do Galeão, que já foi o principal do país.

Aena é uma empresa controlada pelo Governo da Espanha, que detém 51% das ações por meio da entidade pública Enaire. Os 49% restantes do capital social pertencem a sócios privados e investidores institucionais, com as ações listadas nas bolsas de valores espanholas.


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