Alta do petróleo impulsiona receitas em Maricá e Estado do Rio | Diário do Porto


Economia

Alta do petróleo impulsiona receitas em Maricá e Estado do Rio

Em Maricá, maior beneficiária dos royalties, a arrecadação pode crescer para R$ 4,5 bilhões, mas haverá redistribuição para cidades vizinhas

21 de março de 2026

Elevada produtividade dos campos do pré-sal na área de influência de Maricá também contribui para a expectativa de aumento de arrecadação (foto: Petrobras / Divulgação)

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A disparada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Irã, deve provocar um forte aumento na arrecadação do Estado do Rio de Janeiro e, de forma ainda mais intensa, no município de Maricá, principal beneficiário de royalties no país. Com o barril podendo se manter próximo de US$ 100 ao longo de 2026, o Estado do Rio pode receber cerca de R$ 39,3 bilhões em receitas petrolíferas, enquanto Maricá pode chegar a R$ 4,5 bilhões, superando os cerca de R$ 4 bilhões do ano passado.

O salto nas receitas decorre diretamente da valorização do petróleo no mercado internacional. Antes dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, a commodity era negociada abaixo de US$ 70. Nas semanas seguintes, superou os US$ 100 e chegou perto de US$ 120. Caso a média anual fique em US$ 100, a arrecadação total de União, estados e municípios com royalties e participações especiais pode atingir R$ 160,7 bilhões — um crescimento de cerca de 60% em relação aos R$ 100,35 bilhões registrados no ano passado, segundo estimativas do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Esse aumento ocorre porque os royalties e as participações especiais são diretamente influenciados por três fatores: preço do barril, volume de produção e taxa de câmbio. No cenário atual, os três vetores jogam a favor dos cofres públicos. O preço internacional disparou, a produção brasileira — especialmente no pré-sal — segue em expansão, e o câmbio permanece relativamente estável, potencializando a conversão das receitas em reais.

No caso do Estado do Rio de Janeiro, o maior produtor do país, o impacto é expressivo. A projeção é que o Rio concentre cerca de 24% de tudo o que será distribuído em royalties e participações especiais em 2026. Com o barril a US$ 100, isso representaria uma receita de R$ 39,31 bilhões — um aumento de R$ 13,22 bilhões em relação aos R$ 26,09 bilhões arrecadados em 2025. 

Em Maricá, o efeito é ainda mais evidente. O município já arrecadou aproximadamente R$ 4 bilhões em 2025, valor que correspondeu a cerca de 63% de toda a sua receita. Para 2026, usando o mesmo raciocínio do CBIE, pode haver crescimento significativo, tornando possível superar a marca de R$ 4,5 bilhões, impulsionado tanto pela alta do petróleo quanto pela elevada produtividade dos campos do pré-sal na área de influência da cidade. Esse cenário consolida Maricá como o maior beneficiário de royalties no Brasil.

No entanto, o aumento da arrecadação não se traduz integralmente em maior disponibilidade de recursos. Um acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2025 determinou a redistribuição de parte dos royalties de Maricá para municípios vizinhos, como São Gonçalo, Magé e Guapimirim. Com isso, a prefeitura terá de administrar um crescimento de receitas acompanhado de novas obrigações de partilha.

Mesmo com essa limitação, o cenário para Maricá segue favorável. A elevação das receitas pode garantir a continuidade de políticas públicas locais, como a moeda social Mumbuca e o programa de transporte gratuito Tarifa Zero, além de abrir espaço para novos investimentos. No plano estadual, o incremento reforça o papel estratégico do petróleo para as finanças do Rio de Janeiro, evidenciando como choques geopolíticos globais podem ter impactos diretos e imediatos sobre a economia regional.


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