IME amplia comunicação quântica para mais segurança da informação | Diário do Porto


Inovação

IME amplia comunicação quântica para mais segurança da informação

Pesquisadores do IME (Instituto Militar de Engenharia) fizeram experimento de 10km, no Rio, com sistema inédito no Brasil em rede de informação

26 de maio de 2026

Equipe da Rede Hermes Quântica no IME, no Rio de Janeiro (foto: reprodução da Internet)

Compartilhe essa notícia:


Em meio à corrida global para ampliar a segurança da informação, pesquisadores brasileiros deram um passo estratégico para inserir o país no pequeno grupo de nações capazes de operar redes de comunicação quântica em ambiente real. Uma equipe do Instituto Militar de Engenharia (IME), liderada pelo tenente-coronel Vítor Andrezo, realizou com sucesso um enlace de comunicação quântica de 10 quilômetros utilizando fibras ópticas instaladas na malha urbana do Rio de Janeiro. A conquista foi noticiada no perfil do IME nas redes sociais.

Aumentar a segurança da informação tornou-se fundamental porque praticamente todas as atividades estratégicas de um país, de empresas e das pessoas dependem hoje de dados digitais. Quem controla, protege ou consegue acessar essas informações possui vantagem econômica, militar, política e tecnológica. No plano individual, a segurança da informação protege, por exemplo, dados bancários, comunicações pessoais, senhas, prontuários médicos e identidade digital. Vazamentos ou invasões podem causar prejuízos financeiros, fraudes e extorsões.

O experimento conectou o IME à Escola Superior de Guerra (ESG), ambos na Urca, na Zona Sul do Rio, por meio da tecnologia QKD (Distribuição Quântica de Chaves), considerada hoje uma das formas mais seguras de transmissão de dados existentes. Baseada em princípios da mecânica quântica, a tecnologia permite detectar qualquer tentativa de interceptação da comunicação, tornando o sistema potencialmente imune às ameaças representadas pelos futuros computadores quânticos.

O marco alcançado pelos pesquisadores do IME vai além da distância percorrida. Diferentemente de testes conduzidos em ambientes laboratoriais controlados, o sistema operou em infraestrutura urbana real, composta por trechos subterrâneos e aéreos, múltiplas emendas e diferentes tipos de fibras ópticas — exatamente as condições encontradas nas redes metropolitanas de telecomunicações. O resultado representa um avanço significativo em relação aos ensaios realizados em 2025, que haviam alcançado 3,5 quilômetros.

A pesquisa do IME ocorre em um momento de crescente tensão tecnológica internacional. Governos e empresas de segurança alertam para a chamada ameaça “Y2Q” — referência ao momento em que computadores quânticos suficientemente avançados poderão quebrar os sistemas de criptografia tradicionais, como o RSA, hoje utilizados em bancos, governos e infraestruturas críticas no mundo inteiro.

Na corrida pela proteção das comunicações do futuro, a China desponta como líder, com extensas redes quânticas terrestres, incluindo o enlace Pequim-Xangai, com cerca de 2.000 quilômetros, além de satélites dedicados à transmissão quântica. Estados Unidos e União Europeia aceleram investimentos em programas estratégicos, como a EuroQCI, iniciativa europeia voltada à construção de uma infraestrutura continental de comunicações seguras. Canadá, Coréia do Sul, Singapura e Índia também desenvolvem projetos semelhantes.

Nesse cenário, o avanço obtido pelo IME ganha relevância geopolítica e estratégica. Além de demonstrar capacidade científica nacional, o projeto fortalece a soberania brasileira em segurança cibernética e reduz a dependência de tecnologias estrangeiras consideradas sensíveis para a defesa nacional.

A conexão entre o IME e a ESG é vista pelos pesquisadores como um primeiro passo para a construção de uma futura infraestrutura nacional de Internet Quântica. O projeto integra a Rede Hermes Quântica e a Rede Rio Quântica, iniciativas voltadas à interligação de instituições de pesquisa, defesa e formação estratégica.

As próximas etapas incluem a ampliação da rede no Rio de Janeiro, conectando o IME ao Palácio Duque de Caxias, no Centro, além da realização de testes na Amazônia e da implementação da primeira rede quântica funcional do Brasil, em Brasília.


LEIA TAMBÉM:

Maricá quer sistema que tira o sal do mar para gerar água potável

Média de condomínio no Rio chegou a R$ 1,1 mil e continua subindo

Prefeitura de Niterói usa tomografia pra acompanhar saúde de árvores