Operação mira viúva, mãe e "Legado" de miliciano no Rio | Diário do Porto


Justiça

Operação mira viúva, mãe e “Legado” de miliciano no Rio

A mãe de Adriano da Nóbrega, que é investigada, integrou o gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio

20 de março de 2026

Adriano da Nóbrega, acusado de liderar grupo miliciano e explorar o jogo do bicho, foi morto em operação policial em 2021, na Bahia (foto: Polícia Civil / Divulgação)

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O Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrou uma investigação desmembrada em três ações penais, que tratam de crimes de um grupo ligado ao ex-miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2021, que foi capitão da Polícia Militar e integrante do Bope. A investigação, que apura lavagem de dinheiro do jogo do bicho, estruturação de organização criminosa e ocultação de patrimônio, tem entre seus alvos a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, que fez parte do gabinete de Flávio Bolsonaro, de 2007 a 2018, período em que o atual senador era deputado estadual do Rio.

A operação, batizada de “Legado”, investiga também o envolvimento nos crimes de Júlia Lotufo, uma das viúvas de Adriano da Nóbrega. Outra ex-viúva do miliciano,  Danielle Mendonça da Costa, que igualmente figurou como assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, não está sendo investigada. O trabalho é realizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência, com dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão.

As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da Capital, a pedido do Ministério Público estadual, que denunciou ao todo 19 pessoas — entre elas um deputado federal. Um dos eixos da denúncia envolve a negociação de dois imóveis rurais avaliados em cerca de R$ 3,5 milhões que, segundo o GAECO/MPRJ, pertenciam de fato a Adriano da Nóbrega, embora estivessem registrados em nome de terceiros. Após a morte do miliciano, em março de 2021, sua viúva, Júlia Lotufo, teria vendido as propriedades ao deputado federal Rogério Teixeira Júnior, o “Juninho do Pneu”.

Outra frente da investigação descreve um esquema milionário de lavagem de dinheiro proveniente da exploração do jogo do bicho, especialmente na Zona Sul do Rio, em áreas como Copacabana. De acordo com o GAECO/MPRJ, Adriano da Nóbrega atuava em parceria com o bicheiro Bernardo Bello no controle desses pontos. Empresas de fachada — incluindo um depósito de bebidas, um bar, um restaurante e um quiosque de serviços de sobrancelha — teriam sido utilizadas para movimentar e ocultar recursos ilícitos.

A análise de quatro dessas empresas identificou transações que superam R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano. Em um dos casos, um único estabelecimento registrou cerca de R$ 2 milhões em créditos em seis meses. É nessa linha da investigação que aparece o nome de Raimunda Veras Magalhães entre os denunciados, associada à estrutura que recebia, movimentava e dissimulava valores provenientes das atividades ilegais.

A terceira ação penal sustenta que a organização criminosa permaneceu ativa e se reestruturou após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo o GAECO/MPRJ, o grupo teria mantido e até ampliado suas atividades ilícitas, com atuação em áreas como agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular. Ainda de acordo com os investigadores, Júlia Lotufo passou a exercer papel central na gestão financeira e patrimonial da organização.


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