A chegada da nova fragata “Tamandaré” (F200) ao Rio de Janeiro na última segunda-feira simboliza um avanço no processo de modernização da esquadra da Marinha brasileira. E, ao mesmo tempo, a Força alerta que outro projeto estratégico para o país — o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear — corre risco de sofrer paralisações caso não receba cerca de R$ 1 bilhão adicionais no orçamento de 2026.
O valor é considerado o mínimo para manter o ritmo atual do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), responsável pela construção do submarino nuclear Álvaro Alberto. Sem o reforço financeiro, áreas críticas do projeto podem ser interrompidas, o que atrasaria ainda mais o cronograma previsto pela Marinha — atualmente projetado para 2037 — e colocaria em risco equipes altamente especializadas que atuam no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, e no Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene), onde é desenvolvido o sistema de propulsão nuclear da embarcação.
Criado em 2008 no segundo mandato do presidente Lula, a partir de uma parceria estratégica entre o Brasil e a França, o Prosub já acumula uma série de realizações importantes para a indústria de defesa nacional. O programa viabilizou a construção do Complexo Naval de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, que abriga estaleiro, base naval e infraestrutura dedicada à produção e manutenção de submarinos. No âmbito do projeto, a Marinha também desenvolveu uma cadeia industrial e tecnológica que envolve empresas nacionais e transferência de tecnologia para a construção de quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo, sendo que dois já estão em operação.
Enquanto busca garantir recursos para dar continuidade a essa iniciativa estratégica, a Marinha recebe um novo meio de superfície. A fragata “Tamandaré” (F200) chegou pela primeira vez à capital fluminense após partir de Itajaí (SC), onde foi construída, percorrendo cerca de 765 quilômetros até o Rio. O navio será preparado para a Cerimônia de Mostra de Armamento, marcada para 24 de abril, data em que ocorrerá sua incorporação oficial à Marinha. A embarcação é a primeira do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), iniciativa voltada à renovação da frota de escoltas da Esquadra.
A construção da F200 começou em 2022, com o corte da primeira chapa de aço. A fragata foi lançada ao mar em 9 de agosto de 2024 e passou por testes de mar ao longo de 2025, até concluir a fase de construção. No mesmo dia da chegada ao Rio, a Base Naval da cidade recebeu novas instalações para apoiar parte dos 154 militares que compõem a tripulação e que poderão desempenhar atividades também em terra.
Construída integralmente no Brasil, no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, a fragata resulta de um processo de transferência de tecnologia alemã e uso de mão de obra local. O projeto integra o Novo PAC do Governo Federal e busca fortalecer a indústria naval e a base industrial de defesa do país.
As fragatas da classe Tamandaré são consideradas estratégicas para o monitoramento da chamada Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira que ultrapassa 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Além da F200, outras três embarcações estão em construção no estaleiro de Itajaí: “Jerônimo de Albuquerque” (F201), “Cunha Moreira” (F202) e “Mariz e Barros” (F203).
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