Um projeto de R$ 850 milhões para a construção de um terminal portuário e de um estaleiro no litoral norte do Rio de Janeiro será retomado após mais de uma década. O Complexo Logístico Farol/Barra do Furado, localizado na divisa entre Quissamã e Campos dos Goytacazes, deve ter as obras reiniciadas ainda este ano, segundo a empresa responsável pelo empreendimento.
O principal ajuste em relação ao projeto original é a mudança de foco do estaleiro. Inicialmente voltado à manutenção de embarcações, o empreendimento passa agora a priorizar o desmantelamento e a reciclagem de navios e plataformas offshore.
O projeto foi anunciado originalmente em 2011, com previsão de início das obras no ano seguinte. Parte da infraestrutura chegou a ser iniciada, mas os trabalhos foram interrompidos em meio à recessão econômica após 2015, à retração do setor de petróleo e gás e os reflexos da Operação Lava Jato, que desestruturou as cadeias produtivas.
Novo desenho do empreendimento
A retomada ocorre com a entrada de um novo parceiro financeiro, que passa a participar da estruturação do investimento. A expectativa é que o complexo comece a operar entre 2027 e 2028.
A área prevista para o complexo tem cerca de 1 milhão de metros quadrados, na entrada do Canal das Flechas, ligação entre a Lagoa Feia e o mar.
Além do estaleiro, o projeto inclui uma base de apoio para operações offshore e para futuras usinas eólicas em alto-mar.
Demanda por reciclagem
A mudança de foco acompanha o aumento da demanda global por descomissionamento de embarcações. A previsão é que milhares de navios e plataformas sejam retirados de operação nos próximos anos, o que deve ampliar a necessidade de estruturas voltadas à reciclagem.
Estudos do setor indicam que o volume de embarcações a serem desmanteladas deve crescer ao longo da próxima década, impulsionado pelo envelhecimento de ativos da indústria de petróleo e gás.
O projeto prevê a construção de um cais com até 900 metros de extensão, capaz de receber plataformas do tipo FPSO, utilizadas na produção offshore.
Infraestrutura e impacto local
Parte das estruturas iniciadas há mais de dez anos poderá ser aproveitada na retomada das obras, incluindo um píer construído para o transpasse de areia na região.
Também está prevista a conclusão de intervenções como a dragagem do canal de acesso, o que pode impactar outras atividades econômicas locais, como a pesca.
Quando estiver em operação, o complexo deve gerar cerca de 800 empregos diretos e aproximadamente 3,2 mil indiretos, segundo estimativas da empresa responsável.