Rio registra 2.7 mil manifestações de doação de órgãos em 2 anos | Diário do Porto


Saúde

Rio registra 2.7 mil manifestações de doação de órgãos em 2 anos

Número mostra avanço na formalização da vontade de doar, em um estado onde milhares ainda dependem de transplante

22 de maio de 2026

Cartórios do Rio registram avanço nas manifestações formais de doação de órgãos (Foto: Divulgação)

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Os Cartórios de Notas do Rio de Janeiro registraram 2.761 manifestações formais de doação de órgãos desde a criação da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, conhecida como AEDO. A ferramenta, que completa dois anos, permite que qualquer cidadão registre pela internet a vontade de doar órgãos.

A AEDO foi criada pelos Cartórios de Notas e regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça. A proposta é facilitar o registro formal da vontade do cidadão e dar mais segurança ao processo de consulta pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

Ferramenta busca ampliar cultura da doação

A autorização eletrônica funciona como uma manifestação oficial de vontade. O documento não substitui a importância da conversa com familiares, mas cria um registro formal, validado por cartório, sobre a decisão de doar órgãos.

Para os Cartórios de Notas, o crescimento das solicitações mostra que a ferramenta vem ganhando espaço como instrumento de cidadania e de conscientização. A formalização digital também reduz barreiras de acesso, já que o procedimento pode ser feito sem deslocamento até uma unidade física.

A presidente do Colégio Notarial do Brasil, Seção Rio de Janeiro, Edyanne Moura, afirma que a AEDO facilita o acesso da população a uma decisão que pode salvar vidas. Segundo ela, os cartórios passaram a oferecer uma ferramenta segura, gratuita e totalmente digital para registrar a vontade de doar.

O avanço ocorre em um país que ainda convive com filas de transplantes. No Brasil, cerca de 48 mil pessoas aguardam por um órgão. Em 2026, mais de 3 mil transplantes já foram realizados, com maior demanda por rim e fígado.

Autorização é feita pela internet e pode ser revogada

O processo é realizado pela plataforma e-Notariado. O interessado acessa o portal oficial da AEDO, solicita gratuitamente um Certificado Digital Notarizado e participa de uma videoconferência com um tabelião de notas.

Depois da validação, o cidadão assina eletronicamente o documento e informa quais órgãos deseja doar. A autorização passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada por profissionais autorizados do sistema de transplantes.

O registro pode ser revogado a qualquer momento. Essa possibilidade permite que o cidadão altere sua decisão no futuro, mantendo controle sobre a manifestação de vontade.

A criação da autorização eletrônica também abriu espaço para novas iniciativas de incentivo. No Paraná, por exemplo, uma lei passou a prever benefícios como meia-entrada em eventos culturais e esportivos para doadores cadastrados na AEDO.


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