A construção, em Maricá, da primeira fábrica no Brasil voltada para tratores especializados em agricultura familiar foi confirmada na semana passada, com a assinatura de três contratos em Pequim, na China. O projeto, anunciado pela Prefeitura de Maricá no ano passado, será implantado em uma parceria que envolve também a empresa chinesa Sinomach, a brasileira OZ Earth e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A unidade industrial será instalada no distrito de Ponta Negra, próxima à RJ-106, com investimento estimado em R$ 200 milhões. A expectativa é que o empreendimento gere até 500 empregos indiretos e tenha capacidade de produzir 5 mil tratores por ano, com modelos de 25 e 50 cavalos de potência, adaptados às necessidades dos pequenos produtores agrícolas.
O acordo firmado por Maricá formaliza uma cooperação tecnológica que já havia sido anunciada em novembro de 2025. Na ocasião, representantes brasileiros e uma comitiva chinesa discutiram os primeiros passos para a instalação da fábrica.
Segundo participantes das negociações, foram assinados três contratos principais: o contrato-mestre, que estabelece os parâmetros jurídicos e comerciais da parceria; o contrato SKD, que define a importação dos componentes das máquinas; e o contrato da linha de montagem.
O modelo SKD (sigla para Semi Complete Knockdown) prevê que os tratores sejam inicialmente enviados da China parcialmente desmontados, em módulos, para montagem no Brasil. A estratégia permitirá que a fábrica comece a operar enquanto avança, gradualmente, na nacionalização da produção.
A meta é que, ao longo dos primeiros anos de operação, o projeto alcance pelo menos 60% de conteúdo nacional, exigência prevista na legislação brasileira para acesso a incentivos fiscais e financeiros.
Os tratores produzidos na unidade de Maricá serão destinados a associações e cooperativas de agricultura familiar, podendo ser adquiridos por meio de programas públicos de financiamento, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
Além da produção industrial, o projeto também prevê cooperação tecnológica entre os parceiros brasileiros e chineses, incluindo a possibilidade de integração com sistemas digitais e plataformas inteligentes voltadas à agricultura.
Os idealizadores afirmam que a iniciativa busca ampliar o acesso à mecanização no campo e fortalecer cadeias produtivas da agricultura familiar, setor responsável pela maior parte da produção de alimentos no país.
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