Leilão do Galeão ocorre com demanda crescente e novo hub | Diário do Porto


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Leilão do Galeão ocorre com demanda crescente e novo hub

Novo leilão do Galeão, no dia 30, estabelece lance mínimo de R$ 932 milhões para a concessão, valor que deverá ser pago à vista pelo vencedor

15 de março de 2026

Lula esteve no Galeão, durante anúncio da Gol de que o aeroporto será seu novo hub para voos internacionais (foto: Presidência da República / Ricardo Stuckert)

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O novo leilão de concessão do Aeroporto Internacional do Rio, o Galeão, marcado para 30 de março de 2026, na Bolsa de Valores de São Paulo, ocorre em um cenário de recuperação do terminal, que ganha impulso com o anúncio da Gol Linhas Aéreas de transformar o terminal em seu hub internacional. A iniciativa da companhia se soma à decisão recente do presidente Lula de continuar mantendo as restrições de voos no Aeroporto Santos Dumont, fatos que tendem a ampliar a movimentação de passageiros no Galeão e reforçar o interesse de investidores pelo ativo.

Os grupos interessados em disputar a concessão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Tom Jobim devem entregar suas propostas e documentos de habilitação até as 12h de 24 de março de 2026. As regras constam do edital e da apresentação da sessão pública de esclarecimentos divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O edital também prevê um mecanismo para garantir a continuidade da concessão do Galeão caso haja baixa concorrência: se apenas um proponente apresentar oferta válida, o certame poderá ocorrer normalmente, com a definição do vencedor pelo valor proposto acima do lance mínimo. Caso nenhuma proposta seja apresentada, o Governo Federal poderá adotar medidas alternativas dentro do processo de venda assistida para viabilizar a transferência da concessão e assegurar a continuidade da operação do aeroporto.

O edital do novo leilão do Galeão estabelece lance mínimo de R$ 932 milhões para a concessão, valor que deverá ser pago à vista pelo vencedor do certame. Além da oferta inicial, o operador terá de arcar com uma contribuição variável equivalente a cerca de 20% da receita bruta anual da concessionária até o fim do contrato, em 2039, e adquirir a participação de 49% da Infraero na sociedade. Considerando esses compromissos, analistas do setor estimam que o valor total envolvido na operação possa superar R$ 1,5 bilhão ao longo da concessão.

O Galeão foi concedido à iniciativa privada em 2013, mas a concessionária enfrentou dificuldades financeiras nos anos seguintes. A queda no número de passageiros — agravada pela pandemia e pela concentração de voos domésticos no Santos Dumont — reduziu a rentabilidade do terminal. Para solucionar esse cenário de crise, o Governo Federal estruturou uma solução com o TCU (Tribunal de Contas da União), optando por um modelo de “venda assistida” da concessão, permitindo a entrada de novo operador ou a manutenção da atual concessionária, com a reorganização de sua estrutura societária.

Nos últimos dois anos, o aeroporto voltou a registrar forte crescimento no fluxo de passageiros. Em 2025, o Galeão movimentou cerca de 18 milhões de viajantes, ante aproximadamente 14,5 milhões em 2024 e 7,9 milhões em 2023, antes da reestruturação da política aeroportuária na cidade.

O crescimento está diretamente ligado à regulação do sistema aeroportuário do Rio de Janeiro, decidida por Lula em 2023, a partir de pressões exercidas pela Prefeitura, Governo do Estado e Assembleia Legislativa, com entidades empresariais fluminenses. A medida limitou o volume de passageiros no Santos Dumont e restringiu parte das rotas operadas ali, estimulando a redistribuição de voos para o Galeão. O objetivo foi reequilibrar o uso dos dois aeroportos e recuperar a movimentação no terminal internacional.

O cenário competitivo do leilão mudou nas últimas semanas. Inicialmente, o Governo estimava que até cinco grupos poderiam disputar o aeroporto. No entanto, duas operadoras internacionais — Fraport, da Alemanha, e Corporación América Airports, da Argentina — recuaram e não devem apresentar proposta. Com isso, a disputa tende a se concentrar entre a atual operadora do aeroporto e empresas que já atuam no mercado brasileiro, como a espanhola Aena e a suíça Zurich Airport.

A atual concessionária, RIOgaleão, passou no ano passado por uma reorganização societária, com a redução da participação da operadora de Cingapura Changi Airports International, cuja fatia majoritária foi adquirida por um fundo de infraestrutura administrado pela gestora brasileira Vinci Partners. A estatal Infraero, que permaneceu como sócia com 49% da concessionária, terá sua parte vendida no novo leilão.


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