Fiocruz diz que Microsoft reduziu seu armazenamento em 98% | Diário do Porto


Ciências

Fiocruz diz que Microsoft reduziu seu armazenamento em 98%

Fiocruz perdeu capacidade de armazenamento de dados após mudança em contrato com a Microsoft, impactando rotina de pesquisas

23 de março de 2026

A Fiocruz comunicou seus pesquisadores sobre a queda na capacidade de armazenamento de dados e também divulgou em suas redes sociais (foto: Fiocruz / Divulgação)

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou que teve a capacidade de armazenamento de dados em serviços da Microsoft reduzida em cerca de 98%, após mudanças nas políticas da empresa de software para contratos educacionais. A alteração afeta plataformas como OneDrive, SharePoint e Exchange Online, usadas na rotina da instituição.

Antes, a Fiocruz tinha acesso a 30 petabytes de armazenamento. Com a nova política, o volume caiu para 730 terabytes.

A redução foi comunicada internamente por e-mail da Fiocruz a colaboradores na última semana, e também foi divulgada em suas redes sociais.

Impacto na rotina

A mudança já provoca ajustes na organização de dados dentro da instituição. Pesquisadores e equipes técnicas têm revisado estratégias de armazenamento e reorganizado arquivos que estavam na nuvem.

A Fiocruz atua em áreas como desenvolvimento de vacinas, monitoramento de doenças infecciosas e produção de dados de saúde pública, o que envolve grandes volumes de informação.

Contratos e dependência

A fundação mantém contratos milionários com a Microsoft. Em 2024, firmou acordo de R$ 8,6 milhões para licenciamento de produtos e serviços, incluindo cerca de 13 mil licenças educacionais. No ano seguinte, o valor subiu para R$ 11,6 milhões.

Documentos da própria instituição indicam que a continuidade desses serviços é considerada essencial para o funcionamento administrativo e operacional.

Sem a renovação dos contratos, a avaliação interna é de que haveria risco de paralisação de sistemas e prejuízo às atividades.

Mudança mais ampla

A redução segue uma tendência já observada em outras instituições de ensino e pesquisa no Brasil. Nos últimos anos, mudanças nas políticas de empresas de tecnologia têm limitado serviços antes oferecidos em maior escala ou gratuitamente.

Universidades federais e redes estaduais de ensino já relataram problemas semelhantes, incluindo restrições no uso de armazenamento e edição de arquivos.

A alta dependência de plataformas privadas no ambiente educacional tem sido objeto de debate. Levantamentos também indicam que grande parte das instituições brasileiras de pesquisa não têm alternativas e ficam reféns de grandes empresas internacionais de tecnologia para armazenamento e gestão de dados.


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