Exposição 'Chegança', no Museu Vassouras, celebra Vale do Paraíba | Diário do Porto


Arte

Exposição ‘Chegança’, no Museu Vassouras, celebra Vale do Paraíba

Museu Vassouras, inaugurado em dezembro, reúne mais de 150 obras, com homenagem à cultura e à história do Vale do Paraíba

25 de fevereiro de 2026

Museu Vassouras ocupa prédio histórico de 1848 restaurado após quase sete anos de obras. (foto: Divulgação/ Rafael Salim)

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A exposição Chegança, em cartaz no recém-inaugurado Museu Vassouras, no Sul Fluminense, pode ser visitada até o dia 31 de maio. A mostra marca a estreia do novo espaço cultural, aberto ao público em dezembro de 2025, e reúne 63 artistas e mais de 150 obras que dialogam com a história e a identidade do Vale do Paraíba.

Instalado em um casarão de 1848, o museu ocupa o prédio que abrigou o primeiro hospital da cidade, o Hospital Nossa Senhora da Conceição. Após décadas de funcionamento como unidade médica e, posteriormente, como asilo, o imóvel foi desativado em 2007 por risco estrutural e chegou a ser atingido por um incêndio em 2011. Tombado pelo IPHAN desde 1958, o edifício passou por quase sete anos de restauração antes de ser transformado em centro cultural.

A estrutura preserva elementos históricos do casarão, como portas originais, paredes de pedra e trechos de pau-a-pique, integrando a arquitetura do século XIX ao projeto expositivo contemporâneo.

Com curadoria de Marcelo Campos, a mostra Chegança é organizada em três núcleos principais. “Folias” aborda tradições afro-católicas, reisados e manifestações culturais populares da região. “Vapor” resgata a memória dos trens que conectaram o Vale do Paraíba até a década de 1970. Já “Milagres” trata da relação do território com o Rio Paraíba e com a devoção a Nossa Senhora Aparecida.

No andar inferior, obras de Rosana Paulino e um vídeo de Aline Motta ampliam o debate sobre memória, ancestralidade e escravidão na região. A exposição também inclui trabalhos que revisitam personagens históricos locais, como Manuel Congo e Mariana Crioula, ligados a revoltas escravizadas no século XIX.

O acervo reúne nomes consagrados da arte brasileira, como Beatriz Milhazes, Walter Firmo, Djanira e Tarsila do Amaral, representada pela obra Figura Só, emprestada do Masp, além de artistas contemporâneos e produções de criadores ligados ao território.

Entre os destaques estão paisagens de Abigail de Andrade, uma das raras artistas mulheres brasileiras do século XIX, nascida em Vassouras, além de referências a personalidades culturais da região, como Rosinha de Valença e Clementina de Jesus.

Localizada a cerca de duas horas do Rio de Janeiro, Vassouras amplia, com o novo museu, seu circuito cultural e turístico, tradicionalmente associado ao ciclo do café e à arquitetura histórica do Vale do Paraíba.


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