A exposição Chegança, em cartaz no recém-inaugurado Museu Vassouras, no Sul Fluminense, pode ser visitada até o dia 31 de maio. A mostra marca a estreia do novo espaço cultural, aberto ao público em dezembro de 2025, e reúne 63 artistas e mais de 150 obras que dialogam com a história e a identidade do Vale do Paraíba.
Instalado em um casarão de 1848, o museu ocupa o prédio que abrigou o primeiro hospital da cidade, o Hospital Nossa Senhora da Conceição. Após décadas de funcionamento como unidade médica e, posteriormente, como asilo, o imóvel foi desativado em 2007 por risco estrutural e chegou a ser atingido por um incêndio em 2011. Tombado pelo IPHAN desde 1958, o edifício passou por quase sete anos de restauração antes de ser transformado em centro cultural.
A estrutura preserva elementos históricos do casarão, como portas originais, paredes de pedra e trechos de pau-a-pique, integrando a arquitetura do século XIX ao projeto expositivo contemporâneo.
Com curadoria de Marcelo Campos, a mostra Chegança é organizada em três núcleos principais. “Folias” aborda tradições afro-católicas, reisados e manifestações culturais populares da região. “Vapor” resgata a memória dos trens que conectaram o Vale do Paraíba até a década de 1970. Já “Milagres” trata da relação do território com o Rio Paraíba e com a devoção a Nossa Senhora Aparecida.
No andar inferior, obras de Rosana Paulino e um vídeo de Aline Motta ampliam o debate sobre memória, ancestralidade e escravidão na região. A exposição também inclui trabalhos que revisitam personagens históricos locais, como Manuel Congo e Mariana Crioula, ligados a revoltas escravizadas no século XIX.
O acervo reúne nomes consagrados da arte brasileira, como Beatriz Milhazes, Walter Firmo, Djanira e Tarsila do Amaral, representada pela obra Figura Só, emprestada do Masp, além de artistas contemporâneos e produções de criadores ligados ao território.
Entre os destaques estão paisagens de Abigail de Andrade, uma das raras artistas mulheres brasileiras do século XIX, nascida em Vassouras, além de referências a personalidades culturais da região, como Rosinha de Valença e Clementina de Jesus.
Localizada a cerca de duas horas do Rio de Janeiro, Vassouras amplia, com o novo museu, seu circuito cultural e turístico, tradicionalmente associado ao ciclo do café e à arquitetura histórica do Vale do Paraíba.