O Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, recebe a partir do dia 25 de fevereiro a exposição fotográfica “Meros do Brasil: Resistência e Esperança”, iniciativa do Projeto Meros do Brasil que conecta a conservação de uma das espécies marinhas mais ameaçadas do país aos esforços de recuperação ambiental da Baía de Guanabara.
Inédita e gratuita, a mostra reúne 11 imagens produzidas ao longo da costa brasileira pelos fotógrafos Áthila Bertoncini, Maíra Borgonha, Caio Salles e Rodrigo Campanário. As fotografias revelam a força do mero (Epinephelus itajara), maior garoupa do Atlântico Sul, classificado como criticamente ameaçado de extinção na Lista Vermelha do Ministério do Meio Ambiente.
A população da espécie foi reduzida em mais de 80% nos últimos 65 anos. A pesca do mero é proibida no Brasil desde 2002, medida considerada essencial para evitar sua extinção, mas os números seguem baixos, especialmente na Baía de Guanabara, onde a espécie já foi historicamente abundante.
Baía de Guanabara como cenário e símbolo
A escolha do Santos Dumont como palco da exposição não é casual. Do lado de fora do terminal, a paisagem se abre para a Baía de Guanabara, ecossistema de enorme relevância ambiental, histórica e econômica, mas profundamente impactado por séculos de degradação.
A proposta da mostra é estabelecer um diálogo direto entre ciência, território e realidade urbana. De um lado, a vista da baía; de outro, imagens que evidenciam a beleza e a vulnerabilidade de uma espécie que depende diretamente da saúde desses ambientes.
Segundo Jonas R. Leite, gerente executivo do projeto e coordenador do Meros no Rio de Janeiro, a edição fluminense destaca o contexto regional da conservação. “A exposição apresenta a realidade nacional e fluminense da luta diária de um animal da fauna brasileira ameaçado de extinção”, afirma.
Manguezais e regeneração ambiental
Um dos destaques da exposição é a fotografia “Mosaico da Guanabara”, de Caio Salles, que registra uma ação de reflorestamento de manguezal realizada pelo projeto em parceria com a Rede de Conservação Águas da Guanabara (REDAGUA).
Os manguezais são fundamentais para o ciclo de vida do mero, funcionando como berçários naturais. Na Baía de Guanabara, esses ecossistemas praticamente desapareceram entre os séculos XIX e XX devido ao desmatamento e à expansão urbana.
Outra imagem impactante, “O que os olhos não veem”, de Rodrigo Campanário, retrata uma praia da Ilha do Fundão tomada por lixo. A fotografia evidencia o contraste entre áreas da cidade que avançam em índices de balneabilidade e regiões da baía que ainda sofrem diariamente com o descarte de resíduos.
Espécie ancestral sob ameaça
O mero habita o oceano há cerca de 20 milhões de anos. Na Baía de Guanabara, há aproximadamente 7 mil anos, a espécie já ocupava a região. A intensificação da degradação ambiental, no entanto, reduziu drasticamente sua presença.
O Projeto Meros do Brasil realiza pesquisas para monitorar os remanescentes populacionais na baía e reconstruir a história da espécie a partir de registros científicos e relatos de pescadores e moradores do entorno. A iniciativa conta com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
A exposição integra um circuito itinerante que prevê nove edições diferentes, uma para cada estado de atuação do projeto, até 2028. A ação também está alinhada à Década do Oceano (2021–2030), instituída pela Organização das Nações Unidas, com foco na ampliação do acesso ao conhecimento científico e no fortalecimento da cultura oceânica.
Serviço
Exposição: Meros do Brasil: Resistência e Esperança
Cerimônia de inauguração (para convidados): 24 de fevereiro de 2026, às 15h
Local da cerimônia: Auditório da Administração da Infraero, mezanino do Terminal de Desembarque do Aeroporto Santos Dumont
Abertura ao público: 25 de fevereiro a 23 de maio de 2026
Horário: das 6h às 22h30
Local: Saguão de desembarque do Aeroporto Santos Dumont
Entrada gratuita