Búzios projeta autódromo e já negocia 12 eventos | Diário do Porto


Turismo

Búzios projeta autódromo e já negocia 12 eventos

Prefeito anuncia construção do equipamento na região da Baía Formosa até o fim de 2023. Conciliar a obra com a preservação ambiental é o primeiro desafio

21 de abril de 2022

Respeito a regras contra especulação imobiliária atrai o mundo para Búzios (Arquivo TurisRio)

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O prefeito de Armação dos Búzios, Alexandre Martins, que esta semana anunciou a decisão de construir um autódromo na cidade, não quer perder tempo. Ele negocia com a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) a atração de 12 eventos para a cidade após a inauguração do equipamento, inclusive a Stock Car, que este ano aconteceu no Aeroporto Internacional do Galeão-Tom Jobim.

Búzios é o muncicípio do Estado do Rio de Janeiro que mais recebe turistas estrangeiros, depois da capital. A construção de um autódromo na região da Baía Formosa, próxima ao mega-empreendimento Aretê, é mais um passo ousado da cidade na disputa com a capital por grandes eventos.

Na Olimpíada de 2016, o balneário imortalizado por Brigitte Bardot quase levou as competições de vela, que acabaram ocorrendo na Baía de Guanabara, apesar da poluição. Desde que o Autódromo de Jacarepaguá foi demolido, em 2012, para as obras da Olimpíada, o Estado perdeu o seu único equipamento para este fim.

Búzios internacional

“O Rio é a segunda maior economia do Brasil e sempre foi um dos palcos mais ricos do automobilismo, e Búzios tem tradição na atração de visitantes internacionais. Esse somatório será um ponto importante para a atratividade do autódromo e para a inserção de Búzios, e do Estado, no calendário internacional de competições”, afirma o prefeito.

 

Prefeito de Búzios, Alexandre Martins
O prefeito de Búzios, Alexandre Martins (Divulgação)

 

Segundo Martins, a licitação deve ser realizada “nos próximos meses”, e o autódromo ficará pronto já no ano que vem.  “Vamos investir em algo durável como turismo e que é a grande potência de Búzios. Somos o sexto município do Brasil a receber mais turistas estrangeiros, temos uma cidade preparada para o turismo de lazer e de negócios e vemos esse investimento como algo essencial para a retomada da atividade no nosso Estado”, enfatizou Martins.

Cadeia produtiva

O secretário estadual de Turismo, Savio Neves, ressalta a importância do equipamento para o turismo esportivo e a cadeia produtiva do setor. “As produções feitas ao ar livre são uma grande vocação do RJ, o que também potencializa as oportunidades econômicas, aquece os negócios e ajuda a manter a hotelaria com alta porcentagem de ocupação. A ideia é termos um calendário de eventos de automobilismo em municípios do Estado, portanto a vinda de um autódromo na região da Costa do Sol reforça essa ideia.“


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O presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), Djalma Faria Neves, lembra o impacto da Stock Car na geração de mais de 1,2 mil empregos diretos e na mídia espontânea positiva em todo o mundo para a cidade e para o aeroporto. “Além disso, o evento atraiu montadoras, anunciantes, empresários e formadores de opinião, todos majoritariamente de alto poder aquisitivo, que trazem movimentação financeira para todo o Estado”, observou Neves.

 

O autódromo da Riomotors, que não saiu do papel
Projeto do autódromo em Deodoro, que ficou no papel (Divulgação/Riomotors)

 

Desafio ambiental

No ano passado, a Câmara dos Vereadores da cidade do Rio enterrou o projeto de um autódromo em uma área conhecida como Floresta do Camboatá, em Deodoro, na Zona Norte da cidade. Os vereadores aprovaram um projeto de lei criando, no local, o Refúgio de Vida Silvestre (Revis), inviabilizando o empreendimento. A Prefeitura carioca acabou desistindo de disputar com São Paulo a prova de Fórmula Um no Brasil. 

A discussão sobre o impacto ambiental do autódromo será um dos desafios do novo empreendimento em Búzios. A cidade tem atraído turistas de vários estados brasileiros e de outros países exatamente pelo rigor de suas regras urbanísticas, que proíbem a construção de edifícios. É um dos raros destinos turísticos que têm conseguido resistir à pressão da especulação imobiliária para aumentar o gabarito das construções.

 


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