Entre 2016 e novembro de 2025, a Prefeitura do Rio autorizou a derrubada de 3.419 árvores na Zona Sul, segundo levantamento baseado em dados oficiais organizados pela arquiteta Rose Compans, integrante do movimento Rio Não Está à Venda, que atua na defesa da paisagem natural e do patrimônio cultural da cidade. Muitas das árvores cortadas eram centenárias.
Os bairros que registraram maior número de autorizações foram Jardim Botânico (759), Gávea (707) e Botafogo (515). Segundo as informações, que foram publicadas na coluna de Ancelmo Gois, em O Globo, os cortes de árvores em terrenos destinados a empreendimentos imobiliários motivaram manifestações de moradores. No Flamengo, houve protestos contra a retirada de 71 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett. Na Gávea, um projeto na Avenida Marquês de São Vicente também gerou mobilização. Em Botafogo, novo projeto na rua São Clemente, ao lado da estação do metrô, ameaça árvores que amenizam o calor na região.
No início de fevereiro, uma carta aberta ao prefeito Eduardo Paes foi divulgada com assinaturas de artistas, ambientalistas e associações de moradores. O documento afirma que o Rio apresenta déficit superior a um milhão de árvores e pede mudanças na condução do licenciamento ambiental.
Entre os pontos defendidos estão o retorno integral do licenciamento de empreendimentos urbanos à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, transferido em 2021 para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, além de maior transparência nos processos de compensação ambiental.
A compensação permite o corte de árvores mediante o plantio de mudas em outras áreas da cidade. Entidades e moradores reivindicam mais acompanhamento técnico e divulgação dos critérios adotados nesses processos.