A avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, pode ganhar mais um projeto de moradia, o segundo, após décadas marcada pelo uso comercial. A Prefeitura analisa um projeto para construção de um edifício residencial de 31 andares, nas proximidades do Saara.
A proposta prevê uma torre com mais de 300 unidades habitacionais em um terreno hoje utilizado como estacionamento, na esquina com a avenida Passos, ao lado da sede do Detran-RJ.
O projeto ainda está em avaliação pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, mas já aparece no painel de monitoramento do programa Reviver Centro, que acompanha iniciativas voltadas à reocupação residencial da região central.
Mudança de perfil
A eventual aprovação reforça uma mudança gradual no perfil da Avenida Presidente Vargas, tradicionalmente dominada por edifícios comerciais desde sua abertura, na década de 1940. O passo inicial dessa transformação foi dado em 2022 pela Cury Construtora que lançou o empreendimento Vargas 1140 Residencial, localizado no número 1140, em frente à estação de metrô Presidente Vargas.
Esse edifício foi entrege no fim de 2024, reunindo cerca de 360 unidades entre studios e apartamentos de um e dois quartos. O condomínio inclui infraestrutura de lazer com piscina, academia e espaços de coworking no rooftop, e marcou o movimento de revitalização da região central, historicamente marcada pelo uso comercial e que agora busca atrair novos moradores.
A chegada de novos projetos indica uma tentativa de reequilibrar o uso do espaço urbano, ampliando a presença de moradores em uma área que historicamente esvazia fora do horário comercial.
Reviver Centro em números
O projeto se insere no contexto do Reviver Centro, programa criado em 2021 pela Prefeitura do Rio para incentivar a conversão de imóveis e a construção de novas unidades residenciais na região central.
A iniciativa combina incentivos urbanísticos e fiscais para estimular tanto retrofit de prédios antigos quanto novos empreendimentos.
Até fevereiro de 2026, o programa já contabilizava 71 licenças emitidas, que somam 7.582 unidades residenciais aprovadas. Além disso, há 23 projetos em análise, que podem acrescentar outras 1.120 unidades ao estoque habitacional da região.
O que está em jogo
A ampliação da moradia no Centro é vista como uma estratégia para reativar a economia local, aumentar a circulação de pessoas e reduzir a dependência do fluxo de trabalhadores que se deslocam diariamente para a região.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam desafios como infraestrutura urbana, oferta de serviços e adaptação do território para uso misto, combinando moradia, comércio e serviços.
Se aprovado, o novo empreendimento na Presidente Vargas pode marcar mais um passo na tentativa de transformar o Centro em um bairro com uso contínuo, e não apenas um polo de atividades durante o dia.