O céu noturno do Parque Estadual da Lagoa do Açu, no Norte Fluminense, chamou a atenção de especialistas internacionais em astronomia e preservação ambiental. A unidade de conservação, administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), recebeu uma visita técnica de cientistas que participaram de uma observação noturna na Praia do Farolzinho.
Durante a atividade, foi possível visualizar simultaneamente as constelações de Órion e Escorpião, uma condição considerada rara. Os dois conjuntos estelares ficam em lados opostos do céu, e a observação conjunta depende de uma combinação de horizonte amplo, baixa interferência de luz artificial e boas condições atmosféricas.
A visita reuniu Scott Roberts, fundador e presidente da Explore Scientific; Fernando Fabbiani, representante da DarkSky Uruguai; e Marcelo de Oliveira Souza, físico brasileiro e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).
Baixa poluição luminosa favorece certificação internacional
O Parque Estadual da Lagoa do Açu tem potencial para buscar o reconhecimento como Dark Sky Park, certificação internacional concedida a áreas que preservam a escuridão natural da noite e adotam medidas para reduzir a poluição luminosa.
A localização da unidade ajuda nesse processo. Situado em uma planície, o parque oferece visão aberta do horizonte, o que favorece a observação de estrelas, planetas e constelações.
Na Praia do Farolzinho, o controle da iluminação artificial também tem função ambiental. A área é ponto de desova de tartarugas marinhas, e o excesso de luz pode desorientar os animais.
Em declaração para o site do Inea, o gestor do parque, Samir Mansur, a unidade segue regras específicas para reduzir a iluminação dentro de seus limites.
“Na Praia do Farolzinho é proibido o excesso de luz artificial. Com uma iluminação menos poluente, é possível observar planetas, constelações e estrelas e, com isso, pleitear a certificação junto à Dark Sky International”, afirmou.
Céu escuro também protege a fauna
A preservação do céu noturno não interessa apenas à astronomia. A poluição luminosa altera ciclos naturais, interfere na reprodução e migração de animais e pode afetar até a polinização por insetos.
Em áreas costeiras, como a Lagoa do Açu, o impacto é ainda mais sensível. A luz artificial pode desorientar tartarugas marinhas e outros animais que dependem da escuridão natural para completar seus ciclos de vida.
Para Fernando Fabbiani, em relato ao Inea, o parque reúne condições importantes para se tornar referência em proteção do céu noturno.
“Trata-se de uma região que ainda mantém baixos níveis de poluição luminosa, permitindo a observação de um céu estrelado de alto valor científico, educativo e turístico”, disse.
Astronomia pode impulsionar turismo científico
A visita dos especialistas ocorreu após o 18º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica, realizado em Campos dos Goytacazes pelo Clube de Astronomia Louis Cruls.
A presença dos pesquisadores reforça o potencial do Norte Fluminense para atividades ligadas ao turismo científico, à educação ambiental e à observação astronômica.
Além de atrair pesquisadores e observadores do céu, uma eventual certificação como Dark Sky Park poderia colocar o Parque Estadual da Lagoa do Açu em uma rota internacional de áreas reconhecidas pela qualidade do céu noturno.