Acadêmicos do Salgueiro

No princípio do século XX, as terras do morro na Tijuca onde hoje é o Salgueiro já haviam abrigado lavouras de café e uma fábrica de chita. Aos poucos, foram tornando-se lugar de moradias de imigrantes e escravos. Com as mortes do Conde de Bonfim e seu filho, o Barão de Mesquita, o local foi loteado pelo Barão de Itacuruçá, genro do Barão de Mesquita, e as terras, vendidas a pequenos proprietários. Comerciante e dono de uma fábrica de conservas, Domingos Alves Salgueiro tinha 30 barracos no local. Logo batizou o “Morro do Seu Salgueiro”.

Empolgação de componente do Salgueiro em 2012 (Aziz Filho)
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Salgueiro levantou o público em seu desfile de 2017. Foto: Marco Antônio Cavalcanti/Riotur


No princípio do século XX, as terras do morro na Tijuca onde hoje é o Salgueiro já haviam abrigado lavouras de café e uma fábrica de chita. Aos poucos, foram tornando-se lugar de moradias de imigrantes e escravos. Com as mortes do Conde de Bonfim e seu filho, o Barão de Mesquita, o local foi loteado pelo Barão de Itacuruçá, genro do Barão de Mesquita, e as terras, vendidas a pequenos proprietários. Comerciante e dono de uma fábrica de conservas, Domingos Alves Salgueiro tinha 30 barracos no local. Logo batizou o “Morro do Seu Salgueiro”.

A favela abrigou mais de dez blocos, entre eles o Capricho do Salgueiro, Flor dos Camiseiros, Terreiro Grande, Príncipe da Floresta, Pedra Lisa, Unidos da Grota e Voz do Salgueiro. Eles desciam do morro para brincar na Praça Saenz Peña e nas batalhas de confete da Rua Dona Zulmira. O Salgueiro sempre foi respeitado pelo talento de seus compositores.

Em 2017, a escola veio com o enredo “A divina comédia do carnaval” Foto: Aziz Filho

Dessa fábrica de samba nasceram três escolas no Salgueiro: Unidos do Salgueiro, de cores azul e rosa, a Azul e Branco e a alviverde Depois Eu Digo. Os sambistas de outros morros respeitavam os salgueirenses e seus compositores, passistas e batuqueiros, mas nos desfiles da Praça XI eles não conseguiam derrotar as três grandes, Mangueira, Portela e Império Serrano. A ideia de unir as três escolas do morro surtiu com força depois do desfile de 1953, com o Salgueiro em sexto lugar.

Em 5 de março daquele ano, surgia o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, com as cores vermelho e branco. A Unidos do Salgueiro desapareceu anos depois, e seus integrantes se juntaram aos Acadêmicos do Salgueiro.

Já os anos 60 foram um marco na história do Salgueiro. Foi nesse período que a escola conquistou três campeonatos, apresentou enredos e sambas memoráveis e contribuiu definitivamente para a mudança dos desfiles das escolas de samba.

O desfile de 1963 é uma síntese dessa década. Foi nessa data que a escola apresentou uma ícone da história, que nunca tinha recebido o tratamento merecido. Xica da Silva, uma escrava que viveu em Minas Gerais, foi tema do Salgueiro, que pela primeira vez trazia personalidade ao carnaval. Entre as inovações daquele ano, uma ala de 12 pares de nobres que dançavam polca ao ritmo de samba: o Minueto de Xica da Silva. O impacto do desfile foi irresistível e poucas vezes o grito de “já ganhou!”, que ecoava de ponta a ponta da avenida, foi tão unânime. Quando terminou o desfile, ficou no ar a impressão de que algo muito importante havia acontecido no carnaval carioca. O resultado, incontestável, não poderia ter sido outro: Salgueiro campeão!

Na década de 70, a vermelho e branco da zona norte se firmou como potência. Em 10 carnavais, foram oito colocações entre as cinco primeiras e três títulos. Contudo, apesar das boas campanhas e do reconhecimento popular por ser uma escola inovadora, os títulos se afastaram. O jejum durou 17 anos até 1993, com o enredo “Peguei um Ita no Norte”, que contava sobre a viagem do navio Ita, de Belém até o Rio de Janeiro. O Salgueiro entrou na avenida “possuído” e antes mesmo de os cronômetros da avenida serem disparados, a empolgação dos componentes já se espalhava pela arquibancada. A escola foi aplaudida de pé durante toda sua apresentação, fez com que todo o público cantasse seu samba e, ao sair da avenida, foi aclamada como campeã do carnaval.

“Explode, coração, na maior felicidade / É lindo meu Salgueiro, contagiando e sacudindo essa cidade …”.

Nos anos seguintes, porém, a escola cometeu um grande erro ao tentar repetir o sucesso do samba do carnaval de 1993. Durante alguns anos, a ala de compositores da escola buscou a fórmula daquele ano, imaginando que um refrão contagiante bastaria para levar a escola a mais um título. Não aconteceu. Outro período grande sem títulos durou até 2009. Mas com o enredo “Tambor”, dirigido pelo carnavalesco que mais vezes trabalho na escola, Renato Lage, o caneco foi para a Tijuca.

Desde então o Salgueiro fez grandes carnavais e entrou em outro ciclo de sucesso. Como exemplo, até 2018, a escola não terminou nenhum carnaval fora do desfile das campeãs, conseguindo três vice-campeonatos (2012, 2014 e 2015).

Os títulos do Salgueiro:

  • Em 1960, com “Quilombo dos Palmares”
  • Em 1963, “Chica da Silva”
  • Em 1965, “História do Carnaval carioca – Eneida”
  • Em 1969, “Bahia de todos os deuses”
  • Em 1971, “Festa para um rei negro”
  • Em 1974, “O rei de França na Ilha da Assombração”
  • Em 1975, “O segredo das minas do Rei Salomão”
  • Em 1993, “Peguei um Ita no norte”
  • Em 2009, “Tambor”

(Texto baseado em informações do site da escola)

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