Fábrica Bhering | Diário do Porto

Fábrica Bhering

O colosso de estética estrutural, com concreto e ferro, abriga cerca de 50 profissionais criativos de diversas áreas, de ateliês fotográficos e de artistas plásticos a escritórios de design e arquitetura, oficinas de movelaria, estúdios, grifes descoladas, brechós e até um bistrô.


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No interior da fábrica, muitas galerias de arte, lojas e ateliers
No interior da fábrica, muitas galerias de arte, lojas e ateliers. (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)

A fábrica de chocolate desativada era mais um dos muitos galpões abandonados da Região Portuária quando transformou-se em um dos mais efervescentes pólos artísticos do Rio de Janeiro: a Fábrica Bhering. O colosso de estética estrutural, com concreto e ferro, abriga cerca de 50 profissionais criativos de diversas áreas, de ateliês fotográficos e de artistas plásticos a escritórios de design e arquitetura, oficinas de movelaria, estúdios, grifes descoladas, brechós e até um bistrô. São 10 mil metros quadrados de ideias.

Uma vez por mês, sempre no primeiro sábado, das 12h às 20h, os ateliês abrem suas portas para a visitação pública ao evento “Circuito Interno”. A entrada é gratuita, e sempre rola uma atração especial. O prédio de 1930 preserva até parte do maquinário, e os novos e descolados ocupantes incorporaram o visual das paredes desgastadas pelos anos de abandono.

MUDANÇA

A transformação do local começou em 2005, inspirada em ocupações artísticas de fábricas em capitais européias, especialmente Berlim, Londres e Paris. O dono da Bhering resolveu mudar o uso do prédio, desativado desde os anos 1990. Animado com as perspectivas de revitalização do Porto, um sonho antigo do Rio de Janeiro, começou a alugar para artistas em busca de preços mais generosos do que os da Zona Sul, até que a propaganda boca a boca levou à badalação, a partir de 2010.

Prédio da década de 30 onde funcionava a fábrica
Prédio da década de 30 onde funcionava a fábrica (Foto: Reprodução Facebook)

São cinco andares com dezenas de ateliês de fotografia, pintura, escultura, moda e por aí vai. No Trapiche Carioca, um galpão de 1.200 metros quadrados, há muitas peças de decoração de bom gosto e móveis de material reciclado.

No espaço chamado M.O.O.C. – Móveis, Objetos e Outras Coisas – dos arquitetos Bel Lobo e Bob Neri, há um showroom de móveis e objetos em 200 metros quadrados que faz o maior sucesso. Tem peças adquiridas em feiras de várias cidades do mundo e objetos desenhados pelos donos do pedaço.

No terraço, com linda vista, a turma se reúne para ver o pôr do sol ou curtir as peças de cerâmica do Atelier do Terraço. No Café da Fábrica, as chefs da confeitaria Fazendo Doce garantem o deleite. Além dos comes, tem os bebes, que incluem drinques cheios de charme, como tudo em volta.

RESISTÊNCIA

A associação criativa Orestes 28, já com 50 integrantes inquilinos, foi ameaçada de despejo após um leilão, mas a Prefeitura do Rio decretou o tombamento e a desapropriação, e tudo ficou como está, para a satisfação de artistas e de pessoas que sabem valorizar a criatividade. Hoje a luta dos ocupantes da Fábrica Bhering, assim como de todo o Porto Maravilha, é por mais segurança nas redondezas.

 


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