Circo Voador

O Circo Voador teve seu primeiro endereço na praia do Arpoador. Em janeiro de 1982, sua lona azul e branca foi levantada pela primeira vez. Fruto do anseio de uma enorme onda de artistas carentes de espaço para atingir o grande público, o Circo foi a grande alavanca para muitos grupos hoje consagrados.

Foto: Divulgação
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Os integrantes do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone anunciam a chegada do Circo ao Arpoador durante a Surpreendamental Parada Voadora, Praia de Ipanema
Os integrantes do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone anunciam a chegada do Circo ao Arpoador (Foto: Augusto Nunes/Agência O Globo)

O Circo Voador teve seu primeiro endereço na praia do Arpoador. Em janeiro de 1982, sua lona azul e branca foi levantada pela primeira vez. Fruto do anseio de uma enorme onda de artistas carentes de espaço para atingir o grande público, o Circo foi a grande alavanca para muitos grupos hoje consagrados.

O primeiro passo foi dado pelos grupos de teatro criados a partir dos cursos ministrados pelos integrantes do ‘Asdrúbal Trouxe o TrombonePerfeito FortunaPatrícia TravassosEvandro MesquitaRegina CaséLuis Fernando Guimarães e Hamilton Vaz Pereira são ‘avós’ dos ‘Banduendes Por Acaso Estrelados’, ‘Vivo Muito Vivo e Bem Disposto’ e ‘Corpo Cênico Nossa Senhora dos Navegantes’. Esses grupos e mais os filhos ‘Manhas e Manias’, ‘Ombu’ e ‘Abracadabra’, na tarde de 15 de janeiro, uniram quinhentos artistas e formaram a primeira ‘Surpreendamental Parada Voadora’. Saindo da Praça Nossa Senhora da Paz rumo à ponta do Arpoador, o evento atraiu uma cauda de atônitos transeuntes que podiam agora acreditar ser possível sonhar, ser alegre e irreverente durante a ditadura militar.

A princípio, a montagem duraria apenas um mês, mas acabou permanecendo por três meses e ainda assim foi preciso a fiscalização desmontar e retirar a estrutura. Essa turma, liderada por Perfeito Fortuna, saiu em campo buscando formas que pudessem dar continuidade ao que estava sendo feito. Mesmo sem a lona, o Circo não parou e animou mutirões nos Morros do Complexo do Alemão. Muitas casas, creches e associações de moradores foram construídas e montadas, animadas pela trupe do Circo Sem Lona.

PODER DO POVO

Devido ao sucesso da iniciativa e à pressão popular, a Prefeitura destinou alguns de seus terrenos para que um fosse escolhido e o Circo Voador instalado de forma definitiva. O terreno baldio em frente aos Arcos da Lapa interessou e o Circo ganhou seu lugar, servindo de espaço para a criação e apresentação das mais variadas expressões de arte e cultura populares.

Em 23 de outubro de 1982, cinquenta e quatro palmeiras-imperiais foram plantadas e a segunda Surpreendamental Parada Voadora fez aportar, sob os Arcos da boêmia Lapa, o espaço livre do Circo Voador. 

Circo no Arpoador em janeiro de 1982
Circo no Arpoador em janeiro de 1982 (Foto: Athayde dos Santos/Agência O Globo)

O Circo foi um dos principais pontos da noite carioca por um bom tempo, até que, em 1996, fechou suas portas em ato do então prefeito da cidade, César Maia. No dia da eleição do seu sucessor, o prefeito Conde, os dois foram comemorar a vitória num show da banda ‘Ratos de Porão’ e foram, então, vaiados pelo público presente. Em seguida, o prefeito César Maia decidiu, alegando irregularidades, fechar o Circo.

Em ação popular movida pela produtora Maria Juçá, teve o seu direito reconquistado na Justiça para retornar às atividades. A Prefeitura do Rio de Janeiro – que havia demolido o espaço – teve que reconstruí-lo por determinação judicial. Foi devolvido em 2004 aos produtores e funcionários que lá estavam em 1996.

O Circo Voador atualmente conta com uma infraestrutura para receber cerca de 2.500 pessoas. A sua retomada de atividades foi um dos tantos fatores que resgataram a boemia do bairro da Lapa. Próximo ao Circo, há também a Fundição Progresso, outro popular palco da música, além de uma série de casas de espetáculos, bares e restaurantes.

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