Um exercício de guerra silencioso, com ameaças invisíveis e de rápida disseminação, tomou conta da Zona Oeste do Rio de Janeiro nas últimas duas semanas. A Força Aérea Brasileira (FAB) encerra nesta sexta-feira (8), na histórica Base Aérea dos Afonsos, um rigoroso e complexo exercício militar desenhado para simular os impactos devastadores de ataques biológicos, nucleares, químicos e radiológicos (BNQR). A megaoperação preparou médicos e tropas de elite para entrar em cenários extremos, resgatar vítimas em áreas altamente contaminadas e garantir a segurança nacional diante de crises imprevisíveis.
Batizado oficialmente de Exercício Operacional de Evacuação Aeromédica (EXOP EVAM DBNQR), o treinamento mobiliza equipes desde o dia 27 de abril. A força-tarefa é coordenada pelo Comando de Preparo (COMPREP) em parceria direta com a Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA), exigindo que os militares tomem decisões de vida ou morte em frações de segundos enquanto utilizam trajes e equipamentos de proteção pesados.
Prevenção para grandes eventos na mira das Forças Armadas

O Rio de Janeiro, por sua vocação turística e por sediar megaeventos, precisa manter protocolos de pronta resposta sempre atualizados para evitar tragédias em larga escala. “A simulação surgiu a partir da possibilidade de ameaças em grandes eventos, em que fosse preciso empregar os meios para fazer a exfiltração de pessoas. Principalmente em eventos de grande vulto, onde tripulações adestradas e a equipe médica ficam de prontidão para dar uma pronta resposta no caso de um ataque em meio a um grande número de pessoas”, pontuou o comandante.
Aeronaves de ponta e resgate sob risco letal
Para dar o máximo de realismo à simulação militar, a Força Aérea deslocou 5 modelos diferentes de aeronaves para os céus da capital fluminense. Os esquadrões utilizaram o gigante KC-390 Millennium, o C-105 Amazonas, o C-97 Brasília, o C-95 Bandeirante e o helicóptero H-36 Caracal para executar missões práticas de resgate, estabilização clínica e voos de transporte de pacientes expostos aos agentes tóxicos.
O capitão médico Leandro Pacheco Amorim, responsável por avaliar o desempenho operacional das tropas, detalhou que o grande desafio é a adaptação da medicina aeroespacial às condições hostis da contaminação.
“No Exercício, vamos trabalhar com dois tipos de evacuação: a convencional, do dia a dia, e a aeromédica em ambiente BNQR. Os equipamentos de saúde são os mesmos, a única diferença é que utilizamos EPI, um material de proteção tanto para o paciente que pode ser transportado quanto para a equipe que está dando suporte no local”, explicou o oficial médico.
Integração total entre as três Forças
Embora seja liderado pela FAB, o exercício no Rio de Janeiro se destaca por unir o poderio militar do país. A operação conta com o reforço estratégico de militares da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro. Essa integração tem o objetivo de afinar a comunicação e a doutrina operacional entre as três Forças, garantindo que, em caso de um desastre real no território nacional, as equipes consigam montar hospitais de campanha, áreas de desinfecção e pontes aéreas de resgate sem falhas de logística.
A rotina dos soldados durante os dias de treinamento incluiu aulas de reconhecimento de ameaças invisíveis, vigilância química rigorosa e dezenas de simulações de embarque e desembarque de feridos sob forte pressão psicológica e física.

