CSN faz 85 anos em Volta Redonda e precisa de grandes investimentos | Diário do Porto


Empresas

CSN faz 85 anos em Volta Redonda e precisa de grandes investimentos

Gerida pelo empresário Benjamin Steinbruch, a CSN, criada em 1941 por Getúlio Vargas, precisa de investimentos para voltar a ser competitiva

9 de abril de 2026

CSN terá financiamento do BNDES de R$ 1,13 bilhão para modernização ambiental (foto: CSN / Gabriel Borges)

Compartilhe essa notícia:


A Companhia Siderúrgica Nacional está completando 85 anos sob pressão financeira e diante de uma necessidade urgente de investimentos bilionários para recuperar sua competitividade e capacidade produtiva. Com instalações envelhecidas na usina de Volta Redonda, o grupo avalia alternativas para gerar caixa — incluindo a possível venda de empresas. Para enfrentar o desafio de modernizar sua produção siderúrgica, o custo estimado parte de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões).

Criada em 1941 por decreto de Getúlio Vargas como peça central do projeto de industrialização do Brasil, a CSN construiu ao longo de décadas um legado baseado na produção de aço, se tornando o principal motor da economia de Volta Redonda, no Sul Fluminense. A siderúrgica, no entanto, perdeu rentabilidade nos últimos anos. Dados recentes mostram que, enquanto a siderurgia registrou margem Ebitda de 8,1% — um indicador que mede quanto a empresa ganha com sua operação principal antes de descontos como juros, impostos e depreciação — no terceiro trimestre de 2025, a mineração — outro braço do grupo — alcançou 43,9%, evidenciando uma mudança estrutural no eixo de geração de valor da companhia.

Em comunicado a investidores no início do ano, a empresa afirmou que ainda não tomou qualquer decisão definitiva sobre a venda da siderurgia ou de outras empresas, destacando que o processo está em estágio inicial e voltado à avaliação de alternativas e parcerias para maximizar a geração de caixa no curto prazo. A manifestação foi uma resposta a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após reportagens indicarem que a CSN já teria iniciado sondagens no mercado.

Apesar da tentativa de conter especulações, o próprio plano divulgado pela companhia prevê a venda de ativos relevantes ainda neste ano, com o objetivo de reduzir a alavancagem — ou seja, diminuir o nível de endividamento em relação à capacidade de geração de caixa da empresa — em até R$ 18 bilhões. A estratégia, segundo a empresa, passa por concentrar esforços em áreas de maior rentabilidade, crescimento e sinergia — o que, na prática, coloca a siderurgia sob pressão.

CSN terá financiamento do BNDES para modernização ambiental

O problema se agrava com a constatação de que a siderurgia exige investimentos urgentes. A planta de Volta Redonda, coração histórico da CSN, demanda modernização para enfrentar a crescente concorrência do aço importado, especialmente da China. Sem esses aportes, especialistas apontam risco de perda adicional de competitividade. Neste ano, foi anunciado um financiamento do BNDES de R$ 1,13 bilhão, valor insuficiente diante do que a CSN realmente precisa para voltar a ser competitiva. E o dinheiro tem um destino carimbado: serve apara projetos ambientais e redução de poluição, exigências da lei que a empresa precisa cumprir.

A atual gestão, liderada pelo empresário Benjamin Steinbruch, enfrenta assim um dilema estratégico: investir pesado para recuperar a siderurgia ou reduzir a exposição ao setor para aliviar a dívida. A crítica recorrente entre analistas é que a busca por soluções financeiras de curto prazo pode comprometer a capacidade industrial de longo prazo da companhia.

Os impactos dessa decisão vão além da CSN. Em Volta Redonda, a siderurgia sustenta empregos, arrecadação e uma ampla cadeia econômica. Qualquer retração da atividade tende a afetar diretamente o dinamismo da cidade e da região Sul Fluminense, historicamente moldadas pela presença da usina.


LEIA TAMBÉM:

Maricá entrega 90 títulos e avança na regularização fundiária

Artemis reacende mistério sobre pedras da Lua sumidas no Brasil

Firjan projeta investimentos de R$526 bilhões no Rio até 2028