41 voluntários plantam 500 mudas na Floresta da Tijuca, depois de incêndio | Diário do Porto


Meio Ambiente

41 voluntários plantam 500 mudas na Floresta da Tijuca, depois de incêndio

Ao todo, 54 pessoas fizeram o plantio de espécies da Mata Atlântica na Floresta da Tijuca, afetada por incêndio em abril causado por balão

15 de junho de 2026

A ação incia a recuperação de uma área de 24 mil metros quadrados — equivalente a mais de três campos de futebol — destruída após a queda de um balão (foto: ICMBio / Divulgação)

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Uma força-tarefa formada por 41 voluntários, além de 13 brigadistas, monitores e demais funcionários do Parque Nacional da Tijuca, promoveu neste domingo (14) o plantio de 500 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica no Morro do Anhanguera, uma das áreas mais afetadas pelo incêndio que atingiu o Parque Nacional da Tijuca em abril deste ano.

A ação integra o Programa de Voluntariado do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e marca o início da recuperação ambiental de uma área de 24 mil metros quadrados — equivalente a mais de três campos de futebol — destruída após a queda de um balão. O fogo consumiu a vegetação e carbonizou parte do solo, exigindo cerca de 30 horas de trabalho de brigadistas do ICMBio e de bombeiros do 1º Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente para ser controlado.

Localizado no setor Floresta da Tijuca, um dos quatro que compõem o Parque Nacional da Tijuca, o Morro do Anhanguera, que fica a cerca de 4 quilômetros do Cristo Redentor, não registrava incêndios havia mais de uma década. Segundo o coordenador da Brigada de Incêndio do parque e analista ambiental do ICMBio, Bruno Lintomen, a área já vinha passando por um processo de regeneração natural e por ações de reflorestamento para ampliar a presença de espécies típicas da Mata Atlântica.

Ele destaca que o plantio representa mais uma etapa da recuperação da floresta, mas ressalta que a prevenção continua sendo fundamental. Para o coordenador, é necessário combater a prática da soltura de balões, uma das principais causas de incêndios florestais na região.

A operação de reflorestamento exigiu planejamento prévio devido às características do terreno. Situado a quase 700 metros acima do nível do mar e cercado por encostas íngremes, o Morro do Anhanguera demandou que brigadistas e monitores realizassem antecipadamente a abertura dos berços para as mudas, a preparação do solo e o transporte de grande parte do material para os pontos mais elevados da área.

Foram plantadas 11 espécies nativas: mutambo, aroeira, pau-d’alho, paineira, saboneteira, aldrago, urucum, canela-guaicá, pau-jacaré, monjoleiro e carrapeta. Algumas delas apresentam crescimento rápido e são especialmente indicadas para a recuperação de áreas degradadas, além de contribuírem para substituir espécies exóticas invasoras.

De acordo com o coordenador do Programa de Voluntariado do Parque Nacional da Tijuca e analista do ICMBio, Felipe Martins, as mudas utilizadas já passaram por tratamento e possuem certo grau de maturidade, o que deve acelerar a recuperação da área. Segundo ele, em um período de cinco a dez anos algumas árvores já terão copas formadas e poderão produzir frutos, embora determinadas espécies levem até 30 anos para atingir a maturidade plena.

Martins ressalta que, apesar de esse período parecer longo, a recuperação natural da Floresta da Tijuca sem intervenções desse tipo poderia levar mais de um século para alcançar um estágio avançado de regeneração.

O ICMBio mantém aberto o Programa de Voluntariado do Parque Nacional da Tijuca, que conta atualmente com seis modalidades de participação. Menores de idade podem integrar as atividades desde que acompanhados por seus responsáveis legais.

Para evitar novos incêndios florestais, o órgão reforça a importância das denúncias sobre soltura de balões e outras atividades de risco. As informações podem ser repassadas de forma anônima ao Linha Verde do Disque Denúncia, pelo telefone 2253-1177 ou por mensagens via WhatsApp. A orientação é que a população denuncie preventivamente, permitindo a atuação das autoridades antes que os balões sejam lançados e provoquem danos à vegetação, às residências e à segurança das pessoas.


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