Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, vai receber uma nova frente de reflorestamento urbano em uma área considerada crítica para o calor na cidade. A Serra da Posse foi escolhida como prioridade do programa Floresta Viva, em convênio firmado entre a Prefeitura do Rio e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O projeto prevê o plantio e a manutenção de 337.125 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica ao longo de 48 meses. O investimento previsto é de R$ 10 milhões, dividido entre o banco e a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima.
A proposta é formar um corredor ecológico em Campo Grande, bairro mais populoso do Rio e uma das regiões com menor cobertura vegetal da capital. A nova área verde deve conectar trechos já reflorestados pelo Mutirão Reflorestamento e por ações de compensação ambiental.
Reflorestamento vai conectar áreas já recuperadas
A criação do corredor verde busca unir fragmentos de vegetação que hoje estão separados. Essa conexão facilita o deslocamento de animais, ajuda na preservação da biodiversidade e amplia a estabilidade ambiental da Serra da Posse, uma área do bairro em que há iniciativas para a recuperação da Mata Atlântica.
O projeto também prevê a substituição gradual de vegetações invasoras por árvores nativas. A medida ajuda a recompor a paisagem natural, reduz o risco de incêndios e aumenta o sombreamento do solo, ponto sensível em áreas muito expostas ao calor.
Durante a assinatura do acordo, representantes da prefeitura destacaram que a intenção é transformar a Serra da Posse em uma referência ambiental para a Zona Oeste, ampliando a presença de áreas verdes em uma região marcada pelo crescimento urbano acelerado.
Zona Oeste entra no foco climático
A escolha de Campo Grande também tem relação com o debate sobre adaptação climática no Rio. As zonas Oeste e Norte concentram algumas das áreas mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo e das enchentes, problemas que tendem a se agravar com as mudanças climáticas.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o Rio é a primeira prefeitura do país a aderir ao programa nessa modalidade. Segundo ele, a ampliação da arborização em bairros com pouca cobertura verde pode ter efeito direto na qualidade de vida da população.
A vereadora Tainá de Paula, que participou do início da adesão ao programa quando comandava a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, afirmou que concentrar recursos em áreas vulneráveis ajuda a acelerar a entrega de novas florestas urbanas. A parlamentar defendeu que o reflorestamento seja tratado como parte da resposta da cidade à crise climática.