Mil toneladas de lixo são retidas e não atingem Baía de Guanabara e lagoas | Diário do Porto


Saneamento

Mil toneladas de lixo são retidas e não atingem Baía de Guanabara e lagoas

O volume retido pelas ecobarreiras em janeiro, impulsionado pelas chuvas, escancara falhas na coleta de lixo, principalmente nas comunidades

7 de fevereiro de 2026

Na Baía de Guanabara, as ecobarreiras retiveram 7.380 toneladas de lixo, em 2025 (foto: Inea / Divulgação)

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Mais de 1.043 toneladas de lixo foram retiradas de rios e canais no entorno da Baía de Guanabara e das lagoas de Jacarepaguá e Barra, apenas no mês de janeiro pelas ecobarreiras operadas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O volume, impulsionado pelas fortes chuvas do período, escancara falhas na coleta de lixo, principalmente nas comunidades, com deficiência dos serviços prestados pela prefeituras da Região Metropolitana do Rio.

Na Baía de Guanabara, as 17 ecobarreiras em operação impediram que 586,20 toneladas de lixo chegassem ao espelho d’água. Já no Sistema Lagunar da Bacia de Jacarepaguá, que inclui as lagoas da Barra e de Jacarepaguá, cinco estruturas recolheram 457,68 toneladas ao longo do mês.

O material retido é composto principalmente por resíduos domésticos descartados de forma irregular, além de galhos, troncos e detritos arrastados pela força das enxurradas. A intensidade das chuvas aumenta o transporte do lixo acumulado nas ruas e margens de rios, sobrecarregando canais e elevando o volume que chega às barreiras de contenção.

Ecobarreiras não resolvem falta de coleta de lixo

As equipes do Inea realizam monitoramento constante, retirada mecânica e transporte dos resíduos para unidades licenciadas de tratamento, com apoio de caminhões e maquinário pesado. 

As ecobarreiras, no entanto, não conseguem reter integralmente o lixo antes que ele alcance a Baía de Guanabara e o sistema lagunar de Jacarepaguá. As estruturas funcionam como contenção parcial, segurando sobretudo resíduos flutuantes e de maior porte, como garrafas, sacolas, móveis, embalagens e galhos, enquanto materiais menores, submersos ou poluentes dissolvidos podem atravessar. Em períodos de chuvas intensas, o aumento da vazão dos rios também reduz a eficiência da retenção e mesmo os resíduos maiores conseguem escapar.

A quantidade recolhida reflete não apenas fatores climáticos, mas também gargalos na gestão municipal de resíduos sólidos, especialmente nas cidades que deságuam na Baía de Guanabara e nas áreas urbanas do entorno das lagoas da Zona Oeste do Rio. A redução do problema depende de melhorias na coleta regular, fiscalização de descartes irregulares e políticas de educação ambiental para a população.

No acumulado de 2025, os números reforçam a dimensão do desafio: na Baía de Guanabara, as ecobarreiras já retiveram 7.380 toneladas, com investimento de cerca de R$ 9,8 milhões. Na bacia de Jacarepaguá, foram 7.012 toneladas, com aporte de R$ 3,4 milhões.


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