Renda de pessoas negras sobe no Rio, mas desigualdade permanece | Diário do Porto


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Renda de pessoas negras sobe no Rio, mas desigualdade permanece

Apesar do avanço de 17,2%, a renda das pessoas negras no Rio, hoje em R$ 2,3 mil, continua abaixo da dos brancos, que chega a R$ 4,4 mil

1 de dezembro de 2025

A população negra no Rio soma 3,4 milhões de pessoas, o que representa 54,3% dos moradores do município (foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

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A nova radiografia da Prefeitura sobre equidade racial no Rio de Janeiro traz números positivos — mas também um alerta claro: a desigualdade permanece sólida. Segundo o levantamento, a renda domiciliar per capita dos cariocas que se identificam como negros cresceu 17,2% entre 2021 e 2024, superando o aumento entre brancos (10,5%). O movimento é relevante e atinge diretamente a maioria da população da cidade: 3,4 milhões de pessoas negras, ou 54,3% dos moradores, segundo o IBGE.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, atribui o resultado a políticas públicas focadas em inclusão. Mas os próprios dados revelam que o caminho para a igualdade ainda é longo. Apesar do avanço, a renda média das pessoas negras no Rio — hoje em R$ 2,3 mil — continua praticamente metade da renda dos brancos, que chega a R$ 4,4 mil.

Crescimento no mercado de trabalho ainda não eliminou as barreiras estruturais

A melhora da renda acompanhou um dinamismo maior no mercado de trabalho para a população negra. Entre 2021 e 2024, a ocupação desse grupo cresceu 27,2%, bem acima dos 17,4% registrados entre brancos. Mais de 356 mil pessoas negras passaram a integrar a população ocupada.

Ainda assim, os indicadores positivos convivem com um cenário de desigualdade estrutural. A inserção laboral dos negros aumentou, mas concentrada em empregos mais precários, salários menores e com menor acesso a posições de liderança.

Educação avança, mas não reduz a disparidade de forma proporcional

O estudo também destaca que 25,5% dos negros com 25 anos ou mais no Rio têm ensino superior completo — mais que o dobro da média nacional para esse grupo. Porém, mesmo com esse avanço, a comparação com os brancos na cidade expõe um abismo: quase metade (49,2%) deles possui diploma universitário.

Ou seja, mesmo quando a população negra supera índices nacionais, isso ainda não basta para nivelar as condições com o grupo historicamente favorecido. A melhoria educacional também não avança no mesmo ritmo da desigualdade de renda — sinal de que escolaridade, sozinha, não desarma as hierarquias raciais consolidadas.

Representatividade no serviço público avança na base, mas some no topo

O estudo municipal também examinou a chamada “Burocracia Representativa”, analisando a composição racial do funcionalismo. O resultado mostra que, no quadro geral, há quase equilíbrio: 51,6% dos servidores são negros, proporção próxima à da população carioca.

Mas a representatividade se desfaz nos espaços de poder. Nos cargos comissionados, negros representam apenas 14,4%. No alto escalão, o percentual cai ainda mais: 12,3% de servidores deste segmento ocupam postos estratégicos. A fotografia revela que, embora a porta de entrada seja menos desigual, o teto continua baixo — e racializado.

Oportunidade e risco diante da renovação do funcionalismo

Com 45% dos servidores próximos da aposentadoria — majoritariamente brancos — o município terá, nos próximos anos, uma chance inédita de reverter esse quadro e promover maior diversidade.


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