Regata com velas/telas de Daniel Buren vai colorir a Baía de Guanabara | Diário do Porto


Arte

Regata com velas/telas de Daniel Buren vai colorir a Baía de Guanabara

Veleiros navegam no próximo dia 22, entre a Marina da Glória e a Praia do Flamengo, com velas que são obras de arte e serão expostas no MAM

15 de janeiro de 2026

Na regata do dia 22, na Baía da Guanabara, as velas serão telas em perfomance criada pelo artista Daniel Buren (foto: Divulgação)

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A Baía de Guanabara será o cenário da primeira apresentação no Brasil de “Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)”, regata/performance do artista Daniel Buren, realizada em parceria do MAM Rio com a Galeria Nara Roesler. A ação se inicia com onze veleiros da classe Optimist, que seguem no dia 22, às 15h, da Marina da Glória em direção à Praia do Flamengo, incorporando o percurso marítimo como parte integrante do trabalho.

Equipados com velas que apresentam as listras verticais brancas e coloridas desenvolvidas por Buren, os barcos em movimento ativam o espaço da baía por meio do deslocamento, da forma e da cor. As velas operam simultaneamente como instrumentos de navegação e suportes de arte, deslocando o campo da pintura para o ambiente marítimo. O público poderá acompanhar a ação a partir da orla, e toda a performance será registrada.

A regata parte da Marina da Glória, em um trecho onde a Baía de Guanabara se encontra com a cidade. “Ser o ponto de partida de um projeto de Daniel Buren, que culmina em uma exposição no MAM, dialoga com o apoio a iniciativas de incentivo às artes que mantemos ao longo dos últimos dez anos. Integrar essa realização é uma honra”, afirma Gabriela Lobato Marins, CEO da BR Marinas, administradora da Marina da Glória.

Daniel Buren já realizou a regata/performance em Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis

Iniciada em 1975, “Voile/Toile – Toile/Voile” ocupa lugar central na trajetória de Daniel Buren. Concebida originalmente em Berlim, a obra articula dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade — ao transformar velas de barcos em pinturas e ampliar o campo de ação da arte para além do espaço expositivo. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.

“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que conta com fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos, de modo que, ainda que tenha sido uma ação realizada dezenas de vezes, ela nunca é idêntica”, afirmou Buren em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center, publicada em 2018.

Após a conclusão da regata, as onze velas utilizadas na performance serão deslocadas para o foyer do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde passam a integrar a exposição derivada da ação, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026, com entrada gratuita. Instaladas em estruturas autoportantes, com 2,68 metros de altura, ou 2,98 metros com a base, as velas serão dispostas segundo a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. A expografia é assinada por Sol Camacho.

A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara e sua arquitetura integrada ao entorno foram determinantes para a realização do projeto no Rio de Janeiro. “Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo dos últimos 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do museu.

Livro sobre a obra de Daniel Buren será lançado no Rio

Ao prolongar no espaço expositivo uma experiência iniciada no mar, a obra estabelece uma continuidade entre a ação na baía e sua apresentação no museu, integrando paisagem, arquitetura e percurso. “A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente os espaços públicos, é fundamental para compreender a história da arte contemporânea. Essa obra, que começa na Baía de Guanabara e chega aos espaços internos do museu, é um exemplo dessa prática”, observa Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.

Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de “Voile/Toile – Toile/Voile” no Rio de Janeiro, em 2026.


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