O futuro da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda entrou em uma fase de profunda incerteza após declarações do CEO do grupo, Benjamin Steinbruch, sinalizando que a venda da unidade de siderurgia é uma possibilidade. A quebra do dogma histórico de que a usina era o ativo intocável da holding disparou um sinal de alerta em toda a região Sul Fluminense, gerando apreensão entre trabalhadores, comerciantes e autoridades locais.
A mudança de postura da diretoria ocorre em um momento crítico. Com o objetivo estratégico de reduzir o endividamento do grupo e focar em ativos mais rentáveis, como a mineração, a CSN confirmou que iniciará em 2026 um projeto de venda de ativos importantes. Embora a empresa tenha dito que não há negociações definitivas ou avançadas no momento, a admissão pública de que a siderurgia é um negócio que “pode ser realizado” criou apreensão na “Cidade do Aço”, como Volta Redonda é conhecida desde a fundação da empresa, em 1941, pelo então presidente Getúlio Vargas.
Impacto na Economia Local
Para Volta Redonda, a possível saída da CSN representa um risco estrutural. A Usina Presidente Vargas é o coração econômico do município, responsável por milhares de empregos diretos e indiretos, além de ser a principal fonte de arrecadação de impostos. Especialistas locais alertam que a transição de controle para um novo grupo — possivelmente estrangeiro — traz o temor de reestruturações severas, demissões e incertezas sobre a manutenção de benefícios sociais.
O Impasse Ambiental
A tensão é agravada pelo cronograma ambiental. A CSN tem até dezembro de 2026 para cumprir as metas do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com órgãos ambientais para reduzir a poluição e a emissão do “pó preto” que hoje contamina a cidade. A comunidade teme que uma eventual venda possa judicializar ou atrasar ainda mais os investimentos necessários para a modernização dos equipamentos e para a solução definitiva do descarte de escória.
Reação da Comunidade
O debate sobre o futuro da siderúrgica tomou as redes sociais e as discussões políticas na cidade. Enquanto alguns veem na entrada de um novo investidor a chance de uma modernização mais rápida com os R$ 1,13 bilhão recentemente aprovados pelo BNDES, outros moradores expressam preocupação com a perda de identidade da empresa e o impacto social de uma gestão focada em resultados financeiros imediatos.
Volta Redonda aguarda os próximos passos da CSN em 2026, ciente de que qualquer decisão tomada na sede da empresa, em São Paulo, poderá mudar drasticamente o mapa socioeconômico da principal cidade do Sul do Estado.
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