Parque Nacional do Itatiaia usa armas de fogo para matar javalis | Diário do Porto


Meio Ambiente

Parque Nacional do Itatiaia usa armas de fogo para matar javalis

41 javalis foram mortos por tiros no Parque, após caírem em armadilhas. A direção diz que isso é necessário para preservar a biodiversidade

26 de dezembro de 2025

Entre os javalis abatidos no Parque Nacional do Itatiaia, 11 eram fêmeas adultas, 13 machos adultos e 17 ainda não nascidos, provenientes de duas fêmeas prenhas (foto: Instagram do Parque Nacional do Itatiaia)

Compartilhe essa notícia:


O Parque Nacional do Itatiaia (PNI), localizado entre o Sul Fluminense e Minas Gerais, vem realizando o abate de javalis com o uso de armas de fogo, após os animais serem cercados por armadilhas. Entre abril e novembro, 41 animais foram mortos dessa forma. Segundo a direção do Parque, foram 11 fêmeas adultas, 13 machos adultos e 17 ainda não nascidos, provenientes de duas fêmeas prenhas (oito fêmeas e nove machos).

A prática é considerada controversa pelo próprio PNI que, em suas redes sociais, tem recebido diversas críticas por matar os javalis a tiros, o que é feito em parceria com um grupo de caçadores. Em seu Instagram,  diz que neste ano realizou seis “operações de manejo do javali”, espécie exótica invasora descrita como uma das mais nocivas à biodiversidade mundial. No período, foram instaladas quatro armadilhas em pontos estratégicos.

Em resposta a um dos comentários na rede social, a direção que o uso de armas de fogo no manejo é um tema controverso. Afirma ainda que “pesquisas e documentos oficiais mostram que o problema é complexo, multifatorial, não se limitando ao uso de armas”, ao reforçar que o controle da espécie exige um conjunto de estratégias e monitoramento permanente.

Diante de críticas e questionamentos, a direção do Itatiaia afirma que os procedimentos adotados seguem protocolos técnicos e legais. Segundo o parque, os animais são abatidos com o “mínimo de sofrimento” e enterrados em locais seguros dentro da unidade, afastados de cursos d’água. A carne não é aproveitada devido ao risco de zoonoses que podem afetar a saúde humana. 

O parque informa ainda que o abate é realizado com arma de fogo por manejadores devidamente autorizados pelo Exército, Polícia Federal, IBAMA e ICMBio, e a captura ocorre exclusivamente por meio de armadilhas, sem uso de cães. O emprego de cães na caçada é prática comum e pode ser vista nas postagens de diversos grupos de caçadores de javalis em redes sociais. Nelas é comum ver cachorros magros, com sinais de desnutrição e ferimentos.  

O Parque Nacional do Itatiaia, o mais antigo do Brasil, é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, responsável pela gestão das unidades de conservação federais em todo o país. Entre as atribuições do instituto estão a preservação da biodiversidade, a fiscalização ambiental, o incentivo à pesquisa científica, a organização da visitação pública e do uso sustentável, além da elaboração e execução de planos de manejo e ações de conservação. 

De acordo com a direção do Parque Nacional do Itatiaia, o javali, que é originário da Europa, da Ásia e do norte da África, foi introduzido no Brasil na década de 1960 para fins comerciais, tendo se espalhado rapidamente pelo território nacional, e a União Internacional para a Conservação da Natureza classifica a espécie entre as cem piores invasoras do mundo. Sem predadores naturais e com ampla oferta de alimento, os animais causam compactação do solo, danos a nascentes e cursos d’água, destruição de bancos de sementes, competição com espécies nativas como queixadas e catetos e prejuízos a lavouras e pastagens no entorno do parque.

Em seu balanço da operação, a direção do PNI diz que uma única fêmea de javali pode gerar até 10 filhotes por ano. Com base nesse dado, conclui que a retirada dessas 11 fêmeas adultas e das 8 fêmeas que ainda não haviam nascido representa a contenção potencial de cerca de 300 novos javalis nos próximos dois anos, o que significa “300 animais a menos impactando o solo, a vegetação e a fauna nativa do Parque Nacional do Itatiaia”.

Uma alternativa ao abate dos javalis por tiros, citada nas redes sociais, seria a sedação seguida de eutanásia. Segundo as diretrizes do Conselho Federal de Medicina Veterinária, a sedação de animais é considerada um ato privativo da medicina veterinária e só pode ser realizada por profissionais habilitados, em ambientes controlados, devido aos riscos envolvidos e ao uso de medicamentos de controle especial. No caso dos javalis, por serem animais de grande porte, fortes e potencialmente agressivos, o procedimento exigiria avaliação clínica individual, monitoramento constante e protocolos rigorosos de segurança, além de autorizações sanitárias e ambientais específicas.


LEIA TAMBÉM:

Paes acusa Anac de querer prejudicar o Galeão e o Rio

Saquarema e Maricá lideram os maiores PIBs per capita do Brasil

Justiça manda aplicar medicamento da UFRJ em acidentados