O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), afirmou que vai recorrer da decisão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que quer transferir a gestão do Sambódromo para o Governo Estadual. Para aliados do prefeito, a movimentação na Alerj é mais um capítulo da disputa das eleições de 2026, com a tentativa de alavancar o nome do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), como candidato ao Governo, em oposição à candidatura já anunciada do próprio Paes.
O projeto em questão é de autoria do deputado estadual Rodrigo Amorim (PTB), um dos principais aliados de Bacellar e atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj, além de líder do Governo na Casa. A proposta revoga o Decreto-lei 224, de 1975, que reconhecia como de domínio do Município do Rio os imóveis da região da Cidade Nova — onde está localizado o Sambódromo. A justificativa apresentada é a de ampliar a utilização do espaço ao longo do ano, e não apenas durante o Carnaval, com foco na arrecadação estadual.
Os planos de Bacellar envolvem substituir Claúdio Castro no comando do Governo do Estado, já durante o próximo Carnaval, quando o atual governador pretende viajar. Assim, Bacellar ganharia uma chance de se projetar na capital do Estado, no palco do Sambódromo, durante o principal evento turístico do ano.
Sambódromo: transferência é inconstitucional, diz Castro
Em janeiro, o governador Cláudio Castro havia vetado o texto da Alerj, alegando inconstitucionalidade. Segundo o parecer do Executivo, não cabe ao deputados estaduais decidir sobre o domínio de bens municipais, como o Sambódromo. Mesmo assim, os deputados derrubaram o veto, o que levou Paes a reagir publicamente.
“Só a discussão desse tema já é uma perda de tempo tão grande… tinham é que passar o Imperator e o Theatro Municipal para a prefeitura, que é quem tem que cuidar dessas coisas”, escreveu Paes nas redes sociais. “Gostaria de destacar aqui que o governador Cláudio Castro vetou esse delírio. Ele sabe que tem coisas mais importantes para cuidar.”
A articulação política por trás da derrubada do veto reforça o peso crescente de Bacellar na cena estadual. Mesmo sem anúncio formal de candidatura, o presidente da Alerj tem ampliado sua presença institucional, especialmente por meio de aliados como Amorim, apontado como peça-chave em sua estratégia de fortalecimento político. A ofensiva contra o prefeito do Rio é lida como um movimento calculado para desgastar Paes, que é apontado como o principal nome a disputar o Governo em 2026.
A disputa em torno do Sambódromo, portanto, vai além da gestão de um espaço simbólico para o Carnaval carioca: tornou-se um campo de batalha entre dois projetos de poder que começam a se desenhar para a próxima eleição estadual.
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