Moradores de Botafogo estão preocupados com a futura construção de um edifício residencial na esquina entre as ruas Muniz Barreto e São Clemente. O temor é quanto à possível derrubada de sete árvores que hoje ocupam a área e que são remanescentes da antiga praça que existia no local, vendida em leilão e fechada por tapumes há mais de dez anos.
O terreno, que teve as antigas instalações da praça descaracterizadas, fica em frente à saída B do metrô de Botafogo, onde outras árvores compõem o paisagismo da região, formando um corredor verde. É comum observar pássaros e micos pelas copas altas da vegetação local.
Desde o fim do ano passado, começou a ser construído na área um estande de vendas da construtora mineira Vereda, em parceria com a gestora de negócios Fato. Quem passa por lá recebe a informação de que o futuro edifício terá 13 andares, com apartamentos que irão de 62 a 119 metros quadrados. O empreendimento terá lojas no térreo e área de lazer na cobertura.
A preocupação dos moradores aumentou após o episódio ocorrido nas vésperas do Réveillon, no vizinho bairro do Flamengo, em que 71 árvores foram derrubadas para a construção de dois prédios residenciais , em área do antigo Colégio Bennett. Esse terreno, que fica na rua Marquês de Abrantes, era tombado pela prefeitura desde 2014, para proteção dos edifícios históricos da escola e das próprias árvores, que mesmo assim foram alvo da devastação.
Os moradores do Flamengo entraram com uma ação civil pública contra a intervenção feita no terreno e contestaram como insuficiente a licença dada pela prefeitura para a obra, pela qual o novo empreendimento vai plantar 632 mudas como medida compensatória pela derrubada das árvores, muitas delas centenárias. Segundo os moradores, a vegetação derrubada compunha um espaço verde que funcionava como regulador do microclima local. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deu prazo até o próximo dia 20 para que a Prefeitura esclareça quem autorizou a derrubada de árvores protegidas por decreto municipal.
No caso de Botafogo, ainda não há informações sobre o destino das árvores do terreno do futuro edifício, mas os moradores já começaram a questionar a Prefeitura, visando ações futuras. A construtora Vereda informa em seu site que começou suas atividades em 2007, na cidade mineira de Bicas. Em 2019, nessa mesma cidade, a empresa realizou sua primeira construção na modalidade do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal.