Maricá deu o primeiro passo para estudar a implantação de um sistema capaz de transformar água do mar em água potável. A Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar) publicou, no dia 7 de maio, um chamamento público para receber propostas de empresas interessadas em participar de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) voltado à dessalinização.
O PMI é uma etapa usada pelo poder público para reunir estudos técnicos, jurídicos, ambientais e econômico-financeiros antes da definição de um projeto. No caso de Maricá, as empresas selecionadas deverão apresentar alternativas para captação, tratamento e distribuição da água, além de modelos possíveis de financiamento e operação.
O edital prevê prazo de 30 dias para que empresas interessadas apresentem propostas de participação. Depois dessa fase, os estudos completos poderão levar até sete meses para serem entregues.
Estudos vão apontar custo, tecnologia e modelo de operação
A proposta da Codemar envolve um projeto de alta complexidade, com avaliação de diferentes tecnologias de dessalinização e formas de implantação. Entre os pontos a serem analisados estão investimento necessário, custo operacional, consumo de energia, custo por metro cúbico de água produzida e viabilidade econômica do sistema.
As empresas também deverão estudar possibilidades de modelagem jurídica e financeira, como concessão, Parceria Público-Privada (PPP), Sociedade de Propósito Específico (SPE) e captação de recursos com bancos nacionais e organismos internacionais.
Outro ponto previsto no chamamento é a análise ambiental. Os estudos deverão avaliar alternativas como captação direta em mar aberto, uso de poços de infiltração na praia, emissários submarinos e descarte da salmoura, resíduo concentrado em sal que resulta do processo de dessalinização.
Município cita pressão sobre abastecimento de água
A iniciativa surge em meio à preocupação com a segurança hídrica de Maricá. No diagnóstico apresentado pela Codemar, o município aponta pressão sobre fontes de abastecimento e cita a dependência parcial do Sistema Imunana-Laranjal, que também atende outras cidades da Região Metropolitana.
O documento também menciona o estresse hídrico em rios e poços usados no abastecimento local. Além disso, considera fatores como crescimento populacional, expansão urbana, mudanças climáticas, aumento da atividade turística e novos projetos industriais e tecnológicos.
A dessalinização aparece, nesse contexto, como uma alternativa a ser estudada para complementar as fontes atuais de abastecimento. Ainda não há definição sobre custo final, localização da estrutura, tecnologia escolhida ou modelo de contratação. Esses pontos dependerão dos estudos apresentados pelas empresas no PMI.
Projeto pode integrar planejamento de longo prazo
A abertura do chamamento não significa início imediato das obras, mas marca a fase de estruturação do projeto. A partir dos estudos, a Codemar poderá avaliar se a dessalinização é viável para o município e qual seria o melhor formato para levar a proposta adiante.
A tecnologia já é usada em diferentes países, especialmente em regiões com baixa disponibilidade de água doce ou alta pressão sobre mananciais. No Brasil, projetos desse tipo costumam exigir análise detalhada por causa do custo energético, da destinação da salmoura e da integração com os sistemas de abastecimento existentes.
Em Maricá, a discussão se conecta ao planejamento urbano e econômico da cidade. A ideia é avaliar se a água do mar pode se tornar uma fonte complementar para atender moradores, equipamentos públicos e atividades econômicas, reduzindo riscos futuros de abastecimento.