No Hospital Estadual Getúlio Vargas (HEGV), na Penha, três médicas encontraram uma forma diferente de se aproximar das crianças. Em alguns atendimentos, os jalecos dão lugar a vestidos de personagens como Branca de Neve, Elsa e Bela. A iniciativa, chamada de Visita Encantada, surgiu na sala de acolhimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), durante exames de eletroencefalograma com sedação.
A ideia nasceu de forma espontânea. As médicas perceberam que a fantasia ajudava a distrair e reduzir a tensão das crianças diante dos equipamentos e do ambiente hospitalar. “O objetivo era tornar o ambiente mais acolhedor e reduzir o estresse e a ansiedade”, explica Amanda Trevisani, uma das criadoras do projeto.
O resultado fez a ação se expandir para outros setores pediátricos do hospital, como enfermaria, sala amarela e Centro de Tratamento Intensivo (CTI) pediátrico. Hoje, as visitas são feitas em média duas vezes por mês. Pais e responsáveis relatam melhora no humor das crianças e mais tranquilidade durante os procedimentos.
“Manter esse encanto na vida das crianças é necessário e muito positivo. É como viver um conto de fadas”, diz Yasmin Gonçalves, mãe de uma paciente de cinco meses.
Segundo o diretor-geral do HEGV, Alex Busquet, a ação integra o programa de humanização da unidade. “Além da técnica que salva vidas, acreditamos que ações afetivas podem contribuir para um atendimento ainda mais assertivo”, afirma.
O projeto se soma a outras iniciativas voltadas para melhorar a experiência dos pacientes e reforça a importância da atenção emocional no tratamento hospitalar, especialmente na ala pediátrica.