Diabetes afeta saúde emocional de 70% dos brasileiros | Diário do Porto


Saúde

Diabetes afeta saúde emocional de 70% dos brasileiros

Pesquisa mostra impacto da doença na rotina, no sono e na confiança dos pacientes para controlar a glicose no dia a dia.

21 de maio de 2026

Levantamento mostra que diabetes impacta a saúde emocional e a rotina de brasileiros que vivem com a condição (Foto: iStock)

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Um levantamento da Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, aponta que 70% dos brasileiros que vivem com a diabetes relatam impacto significativo no bem-estar emocional.

O dado ajuda a dimensionar uma parte menos visível da doença: a rotina marcada por decisões constantes, medo de oscilações da glicose, noites mal dormidas e preocupação com o futuro.

Segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, da International Diabetes Federation, o Brasil tem 16,6 milhões de adultos diagnosticados e ocupa a 6ª posição mundial em número de casos. Esse cenário reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo.

Mas o estudo mostra que, para além do tratamento clínico, há uma demanda crescente por cuidado emocional, previsibilidade e ferramentas que ajudem os pacientes a lidar melhor com a doença no dia a dia.

Ansiedade, isolamento e sono entram na conta

De acordo com o levantamento, 78% dos brasileiros com diabetes relatam ansiedade ou preocupação com o futuro. Entre os pacientes com diabetes tipo 1, o impacto emocional é ainda maior: 77% afirmam que a condição afeta significativamente seu bem-estar.

A pesquisa também mostra que 2 em cada 5 entrevistados dizem sentir solidão ou isolamento por causa da doença. Na prática, isso revela como o diabetes pode interferir nas relações sociais, na autonomia e na sensação de controle sobre a própria rotina.

O impacto aparece em situações comuns. Mais da metade dos entrevistados, 56%, afirma que a doença limita a capacidade de passar o dia fora de casa. Outros 46% relatam dificuldades em momentos como trânsito, reuniões longas ou períodos em que não é possível monitorar a glicose com facilidade.

O sono também é afetado. Segundo o estudo, 55% dos entrevistados dizem não acordar plenamente descansados. As variações glicêmicas durante a noite podem gerar insegurança e alterar o descanso, o que tende a aumentar o desgaste físico e emocional.

Previsibilidade vira prioridade no cuidado

O estudo indica que apenas 35% dos pacientes se sentem muito confiantes para gerenciar a própria condição. Esse dado aponta uma lacuna entre o tratamento disponível e a necessidade de previsibilidade no dia a dia.

Quase metade dos entrevistados, 44%, afirma que tecnologias mais inteligentes, capazes de prever mudanças nos níveis de glicose, deveriam ser prioridade. Entre os que usam apenas medidores tradicionais, como o teste de ponta de dedo, 46% dizem que alertas preditivos seriam o principal incentivo para adotar sensores de monitoramento contínuo.

A capacidade de antecipar oscilações aparece como uma das principais demandas. Para 53% dos participantes brasileiros, prever níveis futuros de glicose é a funcionalidade mais desejada em soluções com inteligência artificial. Entre pessoas com diabetes tipo 1, esse percentual chega a 68%.

A percepção é ainda mais forte quando o tema é prevenção de episódios críticos. Entre pacientes com diabetes tipo 1, 95% consideram fundamentais ferramentas capazes de prever eventos como hipoglicemia ou hiperglicemia.

Decisões diárias aumentam a pressão sobre pacientes

O endocrinologista Márcio Krakauer, coordenador do Departamento de Tecnologia, Saúde Digital e Inovação da Sociedade Brasileira de Diabetes, explica que fatores emocionais podem interferir no controle glicêmico.

Segundo ele, estresse, ansiedade e noites mal dormidas elevam hormônios que atuam contra a produção de insulina, como cortisol, adrenalina e glucagon. Isso pode fazer a glicose subir ou cair, mesmo quando o paciente segue corretamente o tratamento.

No caso do diabetes tipo 1, a rotina exige antecipação constante. Alimentação, atividade física e uso de medicamentos precisam ser planejados para evitar oscilações bruscas. Por isso, ferramentas capazes de indicar tendências futuras podem reduzir incertezas e melhorar a qualidade de vida.

A pesquisa foi conduzida em setembro de 2025 com 4.326 pessoas com diabetes, a partir de 16 anos, em 22 países. No Brasil, os dados ajudam a mostrar que o debate sobre diabetes precisa incluir não só acesso a tratamento, mas também saúde mental, rotina e autonomia.


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