Carnaval 2025: Mangueira traz negritude para Sapucaí | Diário do Porto


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Carnaval 2025: Mangueira traz negritude para Sapucaí

Com enredo que celebra as raízes africanas da cultura carioca, a Mangueira promete emoção e reflexão no Carnaval de 2025

26 de dezembro de 2024

Samba-enredo composto por Lequinho e Sidnei França vencem disputa para liderar Mangueira no Carnaval de 2025 - Foto: Riotur

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A Estação Primeira de Mangueira se prepara para se apresentar na Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2025 com o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões“. A escola de samba Verde e Rosa promete um desfile que mergulha nas raízes africanas da cidade, com destaque para influência dos povos bantus na formação cultural carioca.

O desenvolvimento deste enredo está sob a batuta do carnavalesco Sidnei França, que estreia na Mangueira no próximo ano. Conhecido por seus trabalhos de destaque em São Paulo, Sidnei busca retratar a presença e a contribuição dos povos bantus no Rio de Janeiro, desde a chegada ao Cais do Valongo até as manifestações culturais que floresceram na Cidade Maravilhosa.

Estação Primeira de Mangueira se prepara para o Carnaval 2025

Uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, a Mangueira está acelerada nos preparativos para o Carnaval de 2025. Com o enredo de 2025, a Mangueira almeja promover uma narrativa com base na historicidade preta de forte cunho social.

Nos últimos carnavais, a Mangueira tem buscado retomar seu lugar de destaque. Em 2023, a escola alcançou a 5ª colocação com o enredo “As Áfricas que a Bahia canta“. Já em 2024, apresentou “A Negra Voz do Amanhã“, uma homenagem à cantora Alcione, ficando em 7º lugar.

Samba-Enredo de 2025 da Estação Primeira da Mangueira

Em outubro de 2024, a Mangueira escolheu o samba-enredo composto por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Júlio Alves, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. O compositor Lequinho já acumula 13 vitórias em disputas de samba na Mangueira e reforça, em 2025, a posição como um dos principais compositores da agremiação.

Confira a letra abaixo:

Sou Luanda E Benguela
A Dor Que Se Rebela, Morte E Vida No Oceano
Resistência Quilombola Dos Pretos Novos De Angola
De Cabinda, Suburbano

Tronco Forte Em Ribanceira, Flor Da Terra De Mangueira
Revel Do Santo Cristo Que Condena
Mistério Das Kalungas Ancestrais
Que O Tempo Revelou No Cais
E Fez Do Rio Minha África Pequena

Ê Malungo, Que Bate Tambor De Congo
Faz Macumba, Dança Jongo, Ginga Na Capoeira
Ê Malungo, O Samba Estancou Teu Sangue
De Verde E Rosa Renasce A Nação De Zambi
Bate Folha Pra Benzer Pembelê, Kaiango
Guia Meu Camutuê, Mãe Preta Me Ensinou
Bate Folha Pra Benzer, Pembelê, Kaiango
Sob A Cruz Do Seu Altar Inquice Incorporou
Forjado No Arrepio Da Lei Que Me Fez Vadio
Liberto Na Senzala Social
Malandro, Arengueiro, Marginal
Na Gira, No Jogo De Ronda E Lundu
Onde A Escola De Vida É Zungu, Fui Risco Iminente
O Alvo Que A Bala Insiste Em Achar
Lamento Informar… Um Sobrevivente
Meu Som Por Você Maculado
Sem Ser Convidado Pela Burguesia
Tomou A Cidade De Assalto
E Hoje No Asfalto A Moda É Ser Cria
Quer Imitar Meu Riscado, Descolorir O Cabelo
Bater Cabeça No Meu Terreiro
É De Arerê, Vento De Matamba
É Dela O Trono Onde Reina O Samba
Sou A Voz Do Gueto, Dona Das Multidões
Matriarca Das Paixões, Mangueira
O Povo Banto Que Floresce Nas Vielas
Orgulho De Ser Favela 


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