Diário do Porto

Rio terá apoio internacional para eletrificar ônibus até 2027

Ônibus elétrico do BRT do Rio conectado a estação de recarga em área urbana

Ônibus elétrico do sistema BRT do Rio durante recarga; cidade foi selecionada para receber apoio internacional na transição da frota (foto: divulgação)

O Rio de Janeiro foi selecionado para receber apoio internacional na estruturação de um projeto de eletrificação do transporte público, um dos principais desafios da agenda climática nas grandes cidades. A iniciativa integra o Programa Mutirão Brasil, que reúne redes globais de cidades e vai oferecer suporte técnico e financeiro a governos locais.

No caso do Rio, o foco do projeto da Prefeitura inclui a criação de um programa integrado de terminais e ônibus elétricos, com estudos e modelagem voltados à transição da frota atual, ainda majoritariamente movida a diesel, para veículos de baixa emissão.

A proposta foi selecionada entre mais de 150 projetos apresentados por cidades e Estados. Ao todo, 34 municípios brasileiros e duas unidades federativas vão receber apoio para desenvolver iniciativas de prevenção à crise climática até 2027.

Gargalo histórico

A eletrificação do transporte público é uma das medidas mais diretas para reduzir emissões nas cidades, mas esbarra em custos elevados e na necessidade de infraestrutura, especialmente pontos de recarga e adaptação de terminais.

É justamente nesses pontos que o projeto carioca pretende atuar. A proposta inclui a modernização de terminais e a implantação de sistemas de recarga, além da estruturação de concessões que viabilizem a operação dos ônibus elétricos no longo prazo.

Na prática, o apoio internacional deve ajudar a destravar etapas que costumam travar esse tipo de projeto: modelagem financeira, desenho regulatório e definição de responsabilidades entre poder público e operadores.

Pressão climática e mobilidade

O transporte urbano é um dos principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa nas cidades brasileiras, além de ser uma fonte relevante de poluição do ar.

A substituição de ônibus a diesel por veículos elétricos é vista como uma estratégia dupla: reduz emissões e pode melhorar a qualidade do serviço, com menor ruído e custos operacionais ao longo do tempo.

O programa também prevê ações complementares, como ampliação de ciclovias, criação de faixas exclusivas e requalificação de áreas urbanas, numa tentativa de integrar diferentes formas de deslocamento.

Apoio externo e escala

O Programa Mutirão Brasil é liderado por redes internacionais como a C40 Cities e o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, que atuam na articulação de políticas urbanas voltadas ao clima.

Além do Rio, capitais como Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte também foram selecionadas na área de mobilidade urbana.

A expectativa é que o conjunto de projetos apoiados no país inclua a implantação de cerca de 600 ônibus elétricos, além de terminais de recarga e melhorias na infraestrutura urbana.

O que ainda falta

O projeto do Rio ainda depende de etapas fundamentais, como definição de financiamento, contratação de operadores e implantação efetiva da infraestrutura.

Historicamente, iniciativas da volta da eletrificação do transporte no Rio enfrentaram dificuldades para sair do papel ou ganhar escala, o que torna a fase de modelagem, agora apoiada por redes internacionais, um ponto central para a viabilidade do projeto. Mas vale lembrar que o transporte urbano na cidade do Rio de Janeiro foi majoritariamente eletrificado — com forte presença de bondes elétricos — até o início da década de 1960, tendo como marco simbólico o ano de 1963, quando os últimos bondes começaram a ser desativados de forma mais ampla.

Durante a primeira metade do século XX, os bondes elétricos eram o principal meio de transporte coletivo da cidade, operados inicialmente pela Light. A partir dos anos 1950, porém, houve uma mudança de política urbana que priorizou ônibus e automóveis, levando à gradual substituição do sistema eletrificado.


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