O Projeto Meros do Brasil anunciou a criação do Kûánãpará — Hub de Soluções Guanabara, um espaço virtual voltado à organização, difusão de conhecimento e fortalecimento das iniciativas socioambientais na Baía de Guanabara. A plataforma reunirá referências bibliográficas, artigos, pesquisas, notícias e informações sobre ações em curso na região, além de disponibilizar um mapa digital interativo que permitirá localizar projetos, organizações e pesquisadores que atuam na conservação da bacia hidrográfica e do entorno da baía.
O lançamento do hub ocorreu durante a 2ª edição do evento Guanabara: Terra, Água e Vida, realizado no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. O encontro reuniu pesquisadores, pescadores, organizações sociais e representantes de projetos socioambientais para discutir impactos na baía, estratégias de regeneração e soluções já implementadas.
Segundo Luana Seixas, gerente de Redes e Relacionamentos do Projeto Meros, a iniciativa nasceu da necessidade de centralizar informações que atualmente estão dispersas entre diversas instituições e plataformas. “O hub centraliza dados técnicos e científicos, facilita o acesso e permite que o conhecimento produzido ao longo de décadas seja sistematizado e utilizado de forma colaborativa”, afirmou.
Repositório digital com referências e estudos
O hub reunirá dezenas de referências de livros, artigos acadêmicos, relatórios, pesquisas e notícias. Cada registro trará informações sobre autoria, data, resumo e links de consulta, permitindo que pesquisadores, imprensa, gestores públicos e cidadãos tenham acesso rápido e confiável ao material.
Além do acervo, a plataforma incluirá o mapa digital interativo, abrangendo todos os municípios do entorno da baía e da bacia hidrográfica. A ferramenta permitirá localizar os projetos da REDAGUA (Rede de Conservação Águas da Guanabara), como Aruanã, Cavalos-Marinhos, Coral Vivo, Guapiaçu e UÇÁ, bem como pesquisadores e instituições que assinaram a Carta da Guanabara, documento produzido na primeira edição do evento, em 2022.
O mapa visa fortalecer a colaboração entre academia, projetos socioambientais e comunidades, facilitando a identificação de sobreposições, lacunas e oportunidades de cooperação entre iniciativas já existentes.
Integração e monitoramento estratégico
A Carta da Guanabara, incorporada ao hub, reúne nove premissas relacionadas à realidade socioambiental da baía, sendo sete indicadores de planejamento estratégico que são monitorados pela REDAGUA. A plataforma permitirá o acompanhamento contínuo desses indicadores, servindo como ferramenta para avaliação de políticas públicas e de ações comunitárias.
O Kûánãpará ficará hospedado no site do Projeto Meros do Brasil, mas poderá ser integrado aos sites das demais iniciativas da REDAGUA. Até o fim do ano, será concluída a definição da metodologia de seleção das publicações que serão incluídas no repositório, garantindo organização, atualização constante e confiabilidade.
Conexão com ciência e mobilização social
O evento de lançamento contou com participação presencial e online, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, em parceria com projetos da REDAGUA. O encontro foi alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Década da Ciência Oceânica (2021–2030), da ONU, reforçando o caráter científico e educativo da iniciativa.
Mais do que discutir problemas históricos da Baía de Guanabara, a iniciativa busca destacar soluções de regeneração, conservação e fortalecimento comunitário que já estão em curso. O hub pretende ser uma ferramenta permanente de apoio à pesquisa, comunicação e tomada de decisão, conectando sociedade civil, projetos e academia em torno de um objetivo comum: proteger e regenerar a baía.
