O Projeto Águas da Guanabara ultrapassou a marca de 2 mil toneladas de resíduos retirados de rios, manguezais, praias e ilhas da região. A iniciativa, em operação desde 2022, entra agora em uma nova etapa de expansão em municípios do entorno da baía.
As novas fases incluem ações em Magé e em áreas de São Gonçalo, Itaboraí e no distrito de Itambi. O objetivo é ampliar a retirada de lixo em pontos considerados estratégicos para a preservação dos ecossistemas.
Coleta diária e avanço ambiental
Com equipes atuando diariamente, o projeto retira em média cerca de duas toneladas de resíduos por dia. A ação busca reduzir o impacto da poluição em áreas sensíveis e evitar danos à atividade pesqueira.
Desde o início das operações, a iniciativa atua em regiões afetadas por episódios históricos de poluição, como o vazamento de óleo na Baía de Guanabara, em 2000.
Segundo os organizadores, já há sinais de recuperação ambiental, com regeneração de manguezais e retorno de espécies de aves e vida marinha.
Impacto nas comunidades
Além da recuperação ambiental, o projeto também atua na geração de renda. Mais de 2,2 mil pescadores artesanais participam das ações de coleta, triagem e monitoramento.
A iniciativa busca fortalecer a pesca artesanal, atividade diretamente impactada pela poluição das águas.
“Esse projeto mudou a realidade de muitos pescadores. A gente limpa o nosso ambiente de trabalho e, ao mesmo tempo, consegue levar sustento para casa”, afirma Gilberto Alves, presidente da colônia Z8, em São Gonçalo.
Descarte irregular segue como desafio
Apesar dos avanços, o projeto identificou um problema recorrente. Um mapeamento realizado entre dezembro de 2025 e março de 2026 apontou que áreas já limpas voltaram a acumular lixo em poucos meses.
O principal fator é o descarte irregular de resíduos, que continua impactando diretamente manguezais e cursos d’água.
Esses ambientes são considerados essenciais para a reprodução de espécies marinhas e para a manutenção da atividade pesqueira.
Atuação estratégica na Baía
Em Magé, as equipes atuam em áreas de proteção ambiental como a APA de Guapimirim e a APA Estrela. Já em Itaboraí e Itambi, o trabalho se concentra na interceptação de resíduos antes que cheguem à Baía de Guanabara.
Todo o material recolhido passa por pesagem, triagem e destinação adequada.
A iniciativa também mantém a exposição permanente “Transformar”, no Parque Natural Municipal Barão de Mauá, que apresenta os resultados do projeto ao público.
Alerta ambiental
Apesar dos resultados, o cenário ainda exige atenção. A recorrência do lixo em áreas já limpas indica que a recuperação ambiental depende não apenas das ações de coleta, mas também de mudanças no comportamento da população.
