O Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CyberGAECO/MPRJ) denunciou 14 integrantes de uma associação criminosa acusada de fabricar e vender suplementos alimentares e produtos terapêuticos falsificados. Os produtos, comercializados em grandes plataformas de e-commerce, eram anunciados como marcas renomadas, mas chegavam adulterados aos consumidores, representando risco à saúde e prejuízos financeiros.
Nesta quarta-feira (17/06), agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços no Recreio dos Bandeirantes, Duque de Caxias, Mangaratiba, São Pedro da Aldeia e Cabo Frio. A ação integra a Operação Convergência Nacional, coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que visa desarticular facções e grupos criminosos organizados em todo o país.
Durante a primeira fase da investigação, a Polícia Civil localizou um laboratório clandestino e um galpão contendo centenas de encomendas prontas, rótulos e grande quantidade de produtos farmacêuticos. Segundo o MP, a adulteração comprometeu a integridade dos produtos, podendo causar efeitos adversos em consumidores e colocando em risco a credibilidade das empresas que operam legalmente.
Além dos prejuízos à saúde e à economia, a prática criminosa também afetava a concorrência no mercado de suplementos e produtos terapêuticos. As empresas envolvidas eram acusadas de associação criminosa, estelionato e falsificação de produtos. A Justiça determinou a suspensão provisória das atividades de empresas ligadas aos denunciados, como Intex Comércio de Cosméticos e Suplementos, Intercaps, Power Ftns, GSM Cosméticos, Matrix Suplementos e PH Suplements.
O CyberGAECO/MPRJ informou que a operação contou com análise de dados e inteligência voltada à identificação das redes de distribuição, rastreando desde os laboratórios clandestinos até os endereços de entrega dos produtos. “O trabalho é contínuo e visa ampliar a proteção do consumidor, garantindo que apenas produtos regulamentados e seguros cheguem às mãos da população”, afirmou um representante do Ministério Público.
A denúncia também alerta para o risco sanitário dos produtos adulterados, que podem conter substâncias diferentes das indicadas nos rótulos, prejudicando não apenas os usuários, mas também profissionais da saúde que recomendam esses produtos. Estima-se que milhares de consumidores tenham sido atingidos pelos produtos falsificados, comercializados em plataformas como Mercado Livre, Magazine Luiza e Americanas.
A Operação Convergência Nacional integra uma estratégia maior de combate ao crime organizado, com cooperação entre órgãos estaduais e federais. O objetivo é criar um monitoramento contínuo sobre fraudes cibernéticas, proteção do consumidor e fiscalização de e-commerce, com vistas a reduzir a atuação de quadrilhas especializadas em produtos ilegais e de alto impacto social.
Segundo o Ministério Público, a investigação segue em andamento para identificar fornecedores, redes de logística e possíveis envolvidos na comercialização e divulgação dos produtos. Paralelamente, orientações estão sendo emitidas às plataformas de vendas para aumentar a fiscalização e coibir a exposição de produtos suspeitos.
O resultado da operação representa um marco na fiscalização de produtos falsificados no estado do Rio de Janeiro, reforçando a importância da atuação integrada entre investigação criminal, inteligência tecnológica e controle sanitário.
