Diário do Porto

Artemis reacende mistério sobre pedras da Lua sumidas no Brasil

Artemis II mostra tripulação que vai para a órbita da Lua foto NASA Divulgação

Tripulação da missão Artemis II, que vai para a órbita da Lua (foto: Nasa / Divulgação)

O início da missão Artemis II, que levará astronautas novamente à órbita da Lua após mais de meio século, recoloca em evidência um mistério brasileiro ainda sem solução. Em 1970, meses depois do primeiro pouso da humanidade na Lua com a Apollo 11, o governo do Brasil recebeu dos EUA amostras do solo lunar. Esse material sumiu, e não há pistas de onde possa estar. 

O “roteiro” desse sumiço da “pedra da Lua” inclui cenas marcantes no Rio de Janeiro. Em outubro de 1969, três meses após o pouso histórico, os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins visitaram a cidade como parte de uma turnê internacional organizada pela NASA. Participaram de desfiles em carro aberto por vias centrais cariocas, receberam homenagens oficiais e foram saudados por uma multidão. A comitiva também participou de eventos institucionais e se hospedou no hotel Copacabana Palace.

No ano seguinte, o governo dos Estados Unidos, então liderado por Richard Nixon, distribuiu a países aliados placas comemorativas contendo fragmentos de material lunar. O Brasil, que vivia sob uma ditadura, recebeu uma dessas peças, composta por partículas trazidas da Lua e por uma pequena bandeira brasileira que havia sido transportada na Apolo 11. É esse presente diplomático que desapareceu dos acervos oficiais.

Buzz Aldrin instala equipamentos no solo da Lua, em 1969 (foto: Nasa)

A entrega formal do fragmento lunar ao Brasil deu-se na gestão do general presidente Emílio Garrastazu Médici. O presente foi enviado a Brasília para simbolizar a aliança entre as duas nações durante a Guerra Fria. Para marcar o primeiro aniversário do pouso lunar, em julho o governo brasileiro promoveu uma exibição pública do material no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, atraindo multidões que formaram filas quilométricas para observar de perto a atração. 

No entanto, após esse período de celebração e propaganda oficial, o rastro documental da peça se perdeu nos inventários da Presidência, transformando o símbolo da conquista da Lua em um grande mistério do acervo histórico nacional. As hipóteses para o sumiço incluem extravio administrativo durante mudanças de governo, guarda inadequada em depósitos oficiais, ou furto de um patrimônio público que pode estar hoje em posse privada. 

O caso brasileiro integra um cenário global de perda de materiais das missões Apollo, o que levou a Nasa a adotar protocolos mais rigorosos de catalogação. Na fase atual, a Artemis II incorpora diretrizes de rastreamento detalhado e cooperação internacional, alinhadas aos Artemis Accords, dos quais o Brasil é signatário.

Sem solução até hoje, o sumiço das amostras lunares da Apolo 11 é um exemplo da fragilidade na preservação de itens históricos e científicos no Brasil, cujo maior episódio de descaso foi o incêndio do mesmo Museu Nacional, no Rio, em 2018. Talvez o presente de Nixon a Médici tenha sido um dos 18,5 milhões de itens queimados no museu. Em contraste, a amostra lunar recebida em 1972, proveniente da missão Apollo 17, permanece preservada e em exposição no município de Bagé (RS), terra natal de Médici.


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