Witzel quer Cancún em Maricá. Bolsonaro, em Angra | Diário do Porto


Investimentos

Witzel quer Cancún em Maricá. Bolsonaro, em Angra

Governador apóia mega resort em Maricá, com investimento de R$ 11 bilhões de grupo espanhol. Projeto seria realizado em Área de Proteção Ambiental

14 de setembro de 2019

Espanhóis querem construir o empreendimento hoteleiro na APA de Maricá (foto: Inea / Adriano Melo)

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Um projeto que há mais de dez anos é comentado por empresários e autoridades ligados ao turismo do Rio está tentando novamente se viabilizar. O grupo espanhol Cetya quer investir mais de R$ 11 bilhões na construção de um mega resort em Maricá, a cerca de 45 quilômetros do centro da capital.

Representantes da empresa IDB Brasil – Iniciativas e Desenvolvimento Imobiliário, controlada pela Cetya, estiveram em uma reunião, na quinta-feira, com o governador do Estado, Wilson Witzel e apresentaram o projeto Fazenda São Bento da Lagoa. Trata-se de um complexo hoteleiro com 2.000 quartos, campos de golfe e áreas residenciais.

Witzel se comprometeu a apoiar o projeto. “A proposta é estabelecer o maior complexo hoteleiro da América do Sul, uma Cancún em Maricá. São mais de R$ 11 bilhões de investimento, que vão gerar mais de 30 mil empregos diretos e indiretos e 300 mil turistas a mais por ano no Estado”, disse o governador.

O desejo de criar uma nova Cancún no Rio foi manifestado primeiramente pelo presidente Bolsonaro, em maio, só que na Baía de Angra dos Reis, numa estação ecológica em que ele foi multado em 2012 por pesca proibida. Cancún é uma cidade mexicana que recebe anualmente cerca de 6 milhões de turistas estrangeiros, quase a mesma quantidade que o Brasil inteiro.

O principal entrave ao projeto apoiado por Witzel é o fato de que está planejado para ser construído na APA (Área de Proteção Ambiental) de Maricá, na qual há uma comunidade tradicional de pescadores artesanais, estabelecida desde o século 18, e até um grupo de índios guaranis, que chegaram recentemente.

Os representantes do grupo IDB Brasil que se reuniram com o governador repetiram o argumento de que o projeto está adequado às normas que protegem a fauna e flora local, com as construções ocupando apenas 6,4% em um espaço de 840 hectares (cada hectare equivale a um campo de futebol).


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Para tornar o projeto mais palatável e vencer as resistências de setores contrários ao uso da APA, o empreendimento prevê melhorias para os atuais moradores, além da construção de um centro de pesquisa ambiental e de uma universidade para formação e capacitação de profissionais na área do turismo.

A visita ao governador ocorreu na mesma semana em que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) abriu vagas para o Programa Voluntariado Ambiental em Maricá, com inscrições abertas até o próximo dia 23. São cinco vagas para apoio à educação ambiental e ao setor administrativo, com atuação voltada justamente à preservação da APA.

A área de proteção foi criada na década de 80 do século passado e compreende um ecossistema com vegetação de restinga e 19 espécies endêmicas (que só ocorrem no local), como o ratinho-de-espinho, o peixe-das-nuvens, várias plantas e insetos. Há ainda sítios históricos e arqueológicos.

Em seu site na internet, o projeto se apresenta como um empreendimento de alto padrão, que se transformará em um complexo turístico, esportivo, comercial, empresarial e residencial. O Grupo Cetya é uma holding que atua há mais de 40 anos no mercado de construção da Espanha.