Witzel decide disputar Porto com Crivella | Diário do Porto

Política

Witzel decide disputar Porto com Crivella

Governador e prefeito querem administrar a área com investidores privados, modelo que já se encontra em crise no Maracanã, VLT e Porto Maravilha

28 de março de 2019


Prédios da Zona Portuária começam a ser ocupados e a gerar movimento na região(foto DiPo)


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O governador Wilson Witzel solicitou ao presidente Jair Bolsonaro a estadualização do Porto do Rio de Janeiro, uma autarquia federal, como forma de melhorar as condições de negócios no Estado. A solicitação abre mais um potencial conflito com o prefeito Marcelo Crivella, que defende a municipalização do espaço para fomentar o turismo.

A nova disputa ocorre em meio à crise que pode enterrar as operações de concessões e PPPs (Parcerias Público Privadas) no Rio de Janeiro. Três grandes negócios feitos nos últimos anos usando modelos de PPPs ou concessões estão em conflito com os poderes concedentes, a Prefeitura e o Governo, o que pode afugentar investidores em novos empreendimentos.

Maracanã, VLT e Porto Novo sem verba

Os negócios em crise são o Maracanã, o VLT e o Porto Maravilha. Witzel já disse que vai retomar o estádio para buscar uma nova forma de administração. A atual concessionária lembra que há uma disputa com o governo, na qual ela cobra R$ 220 milhões por alteração unilateral do contrato, feito em 2013.

O VLT, por sua vez, entrou com ação na Justiça cobrando uma dívida da Prefeitura de R$ 110 milhões e ameaça paralisar suas linhas no próximo mês.

Já a Concessionária Porto Novo limitou suas operações à administração dos túneis, desde que a Caixa Econômica Federal deixou de fazer à Prefeitura os repasses que pagavam manutenção e novas obras na área. A Caixa alega não ter recursos para os repasses e joga para a Prefeitura a responsabilidade pela continuidade do projeto.


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Como pano de fundo ao interesse do governador e do prefeito no Porto, há uma proposta do investidor americano Sheldon Adelson. Ele pretende construir um resort integrado na região, que fica entre os dois aeroportos da cidade.

Esse tipo de empreendimento reúne hotéis, shopping, centros de convenção, casas de shows em torno de um cassino. O empresário tem negócios semelhantes em Las Vegas, Singapura e Macau. A realização de um projeto como esse depende da legalização dos cassinos no país, o que é proibido desde 1941, e está em discussão no Congresso Nacional.

Investidor em resort integrado de olho no Porto

A proposta de Witzel pode se tornar um novo embate entre Estado e Prefeitura. Isso porque em dezembro o prefeito Marcelo Crivella sugeriu a municipalização do Porto a Paulo Guedes. Guedes tinha sido anunciado ministro da Economia. A prefeitura chegou a divulgar que havia um investidor americano interessado em construir o resort com cassino.

Hoje, a gestão do Sambódromo está no centro de uma disputa entre Witzel e Crivella. O governador quer retomar para o Estado o maior equipamento cultural do Rio, inaugurado pelo governador Leonel Brizola em 1984. O prefeito já disse que aceita discutir a devolução, desde que Witzel leve junto três hospitais que pertenciam ao Estado e foram municipalizados, proposta que o governador recusou.

Outro assunto da agenda de Witzel com o presidente Bolsonaro, da qual também participou o senador Flávio Bolsonaro, foi a licitação do Santos Dumont. O governador pediu que um representante do Estado possa acompanhar esse processo, a fim de evitar “um conflito” com o Galeão. O objetivo, segundo ele, é não sucatear “uma estrutura grande” como a do aeroporto internacional.

“Galeão fortalecido”

“Pedi que o nosso secretário de Transporte (Robson Ramos) tivesse maior proximidade com o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Achei importante pontuar isso com o presidente, porque há uma preocupação muito grande dos empresários com o Galeão”, disse o governador, sem dar detalhes do que poderia acontecer.

Witzel ressaltou que seu governo melhorou a segurança nas vias de acesso ao Galeão, com um reforço da Polícia Militar na Linha Vermelha e na Linha Amarela. É fundamental para o Rio, segundo ele, ter o aeroporto fortalecido. Além da reunião com o presidente, Witzel também participou em Brasília de um encontro com os governadores, durante o qual falou com Paulo Guedes sobre a importância do processo de recuperação fiscal dos estados.