Voos internacionais no Centro do Rio podem enterrar o RIOGaleão | Diário do Porto

Infraestrutura

Voos internacionais no Centro do Rio podem enterrar o RIOGaleão

Vantagens que governo federal planeja criar para facilitar a venda do Santos Dumont inviabilizariam a recuperação do RIOGaleão, uma tragédia para o RJ

1 de abril de 2021
Galeão, que já teve 16 mil funcionários, hoje emprega menos de 7 mil (foto: reprodução da Internet)


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Para facilitar a venda do Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, o governo federal planeja permitir operações internacionais no local. Se a intenção se concretizar, será a pá de cal no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o RIOGaleão, que já foi o mais importante do país e, com crise, tornou-se ocioso e ameaçado. O alerta é do jornalista Claudio Magnavita, do carioca Correio da Manhã.

Recentemente, no debate “Hub Aéreo do Galeão – desenvolvimento, oportunidades e desafios”, os secretários estaduais de transportes, Delmo Pinho, e de Turismo, Gustavo Tutuca, destacaram o papel estratégico do RIOgaleão para a economia do Rio de Janeiro, apontando-o como único aeroporto do Brasil planejado originalmente para ser o maior hub (concentrador e distribuidor de voos) do país.

Lava Jato e pandemia

O RIOGaleão tem também a melhor infraestrutura instalada no país para o atendimento ao público e às aeronaves, mas, com a crise vivida pelo Estado, especialmente após a Operação Lava Jato, passou a ter papel secundário, perdendo voos para outros estados, principalmente Brasília e São Paulo (Congonhas e Guarulhos). A queda vertiginosa do Turismo internacional, com a pandemia, acabou de empurrar o RIOGaleão para o buraco.

Especialistas, autoridades e empresários do Rio de Janeiro têm feito articulações para tentar demover o governo federal da ideia de fortalecer as operações no Santos Dumont. Há quem defenda até sua desativação, com a construção de um bairro sustentável sobre a Baía de Guanabara, como forma de salvar os investimentos bilionários feitos pelo país e por empresas privadas no Galeão. A derrocada do equipamento, na Ilha do Governador, seria dramática para o Rio como destino turístico e para a Zona Norte.

Colapso para o RJ

O governo federal, segundo as informações do Correio da Manhã, não atendeu ao apelo do governador Cláudio Castro e da bancada federal do Rio, que almoçou recentemente com o ministro Tarcisio Freitas, da Infraestrutura, para pedir uma solução para a grave crise do RIOGaleão. O ministro teria decidido fazer exatamente o contrário do que reivindica o Rio de Janeiro.

“Para melhorar a concessão do Santos Dumont, não só aumentou as frequências, como irá permitir operações internacionais”, revela o jornalista. Só esta semana, o Galeão teria 40 voos cancelados, ficando “à beira de um colapso operacional”: as contas não fecham, não só pela pandemia, mas também pela “perda de competitividade estimulada pelo próprio poder concedente”.

 


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O governo estadual terá que reagir para valer sua visão estratégica para o desenvolvimento do Estado. É possível criar obstáculos aos planos de aumentar a operação no Santos Dumont. O aeroporto está em uma área central, e o aumento da frequência de aviões, especialmente os de voos internacionais, vai aumentar o desconforto, que já é grande, dos moradores de diversos bairros, como Centro, Santa Teresa, Glória, Flamengo, Botafogo e Urca.

A questão pode mobilizar também o prefeito Eduardo Paes e levá-lo a criar obstáculos ao modelo predador da privatização do Santos Dumont. Uma das prioridades urbanísticas da prefeitura é estimular moradias no Centro da Cidade, o que pode ser dificultado pelo aumento do tráfego aéreo e da poluição sonora.

Com apoio da Câmara de Vereadores, Paes pode criar medidas para evitar que o impacto ambiental e as consequências para a degradação da Zona Norte com a derrocada do RIOGaleão sejam tão superiores às vantagens que o governo federal quer conceder à iniciativa privada para comprar o Santos Dumont.

Zona de Proteção Aérea

Um possível aliado na defesa do RIOGaleão pode ser o mapa do espaço aéreo do Centro da Cidade, especialmente do Porto Maravilha. A construção de arranha-céus previstos originalmente no projeto do Porto Maravilha já foi objeto de análise do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), da Autoridade Aeroportuária Local (AAL), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Consultado pela Prefeitura do Rio, o DECEA fez estudos preliminares que detectaram pontos de dúvida em relação à construção de prédios altos no Porto Maravilha e sua interferência no Plano Básico de Zona de Proteção do Aeroporto Santos Dumont, nas Rotas Especiais de Helicópteros (REH) e nos procedimentos de navegação aérea. O DECEA ficou de propor medidas mitigadoras, com base na legislação sobre o tema (ICA 63-19/2015), levando em consideração a subdivisão do empreendimento do Porto Maravilha em áreas. Pode ser a hora de revisitar o tema.