VLT pede passagem para reverenciar a memória africana | Diário do Porto


Mobilidade

VLT pede passagem para reverenciar a memória africana

VLT Carioca inicia nesta segunda obras para urbanização do Largo de Santa Rita. Intervenção altera tráfego e estacionamento em definitivo na região

17 de maio de 2021

VLT em frente à igreja de Santa Rita, na Avenida Marechal Floriano (Foto: divulgação)

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Abram alas que o bonde da história vai passar pelo Centro do Rio. A partir desta segunda-feira 17, a região terá alterações no trânsito para o início das obras de urbanização em homenagem à cultura africana no Largo de Santa Rita. O projeto vai demarcar a região onde, durante as obras da linha 3 do VLT Carioca, foram encontrados vestígios da localização de um antigo cemitério de negros escravizados.

O largo fica no encontro da Avenida Marechal Floriano com as ruas Visconde de Inhaúma e Miguel Couto, onde fica a Matriz de Santa Rita, do século 18. A matriz já foi chamada “igreja dos malfeitores” porque nela os condenados à forca faziam suas últimas orações. É o primeiro templo das Américas com decoração rococó em talha de madeira e a única igreja colonial carioca que conserva intacta sua talha original, sem acréscimos ecléticos posteriores. A imagem original de Santa Rita de Cássia, trazida nos primórdios da construção, ainda se encontra no templo.

 


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Ao longo do trecho da linha 3, paradas foram batizadas com nomes que recordam a memória africana (Cristiano Ottoni-Pequena África, Camerino-Rosas Negras e Santa Rita-Pretos Novos). Agora, serão feitas marcações no piso e haverá ainda totens com informações históricas do local. A previsão é que a área esteja pronta até o mês de outubro, o que vai ajudar a impulsionar o turismo histórico no Centro.

Mudanças no trânsito até outubro

Por conta da intervenção, a partir das 19h30 desta segunda-feira, será fechado em definitivo o acesso de veículos da Rua Mayrink Veiga para o Largo de Santa Rita e a Rua Visconde de Inhaúma. A área terá apenas acesso pela Rua Alcântara Machado, sem saída. A Mayrink Veiga passará também a ter restrição de estacionamento, com acesso limitado para carga e descarga. A circulação do VLT não será alterada.

As ações são fruto de um grupo de trabalho que contou com representantes do movimento negro e da sociedade civil, do Ministério Público e de empresas e autarquias públicas federais e municipais, como  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (CDURP) e Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio).


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