Veste Rio: novos modelos de negócios da moda bombam nas mídias digitais | Diário do Porto


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Veste Rio: novos modelos de negócios da moda bombam nas mídias digitais

O evento que faz do Porto a capital da moda até domingo (15/04) é palco para debates sobre gestão criativa. O uso de mídias digitais como alavanca para o sucesso foi bastante citado. Algumas marcas, por exemplo, só vendem pelo queridinho Instagram, como a Pernambucana da Gema (foto).

14 de abril de 2018



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Marcas de acessórios só vende pelo Instagram e em eventos. Fotos: Letícia Amorim

Por Letícia Amorim (CoCriato)

O Veste Rio, evento que transforma o Porto Maravilha na capital brasileira da moda até este domingo (15/04), é palco para debates sobre novos modelos de negócio que estão reestruturando a forma de construir e gerir uma marca. As conversas incluem não só os percalços de um pequeno empreendimento para se tornar grande, mas, também, como o mercado está caminhando para abraçar outras formas de trabalhar e se conectar com o público, em especial através das mídias digitais. Visto como uma ótima ferramenta tanto para uso pessoal quanto profissional, o Instagram foi citado como um meio de expandir o alcance das marcas, desde que utilizado com sabedoria.

“O Instagram também pode ser um tiro no pé se o usuário não souber ter a competência para gerenciar e entregar aquilo que se propõe”, disse o consultor de negócios Luiz Barbieri, em uma das palestras. “É preciso habilidades de liderança: gerir o cliente, gerir o estoque e gerir as finanças. Somos o 9º país mais criativo do mundo, mas muitos negócios ainda não passam de três anos”, completou. Segundo André Carvalhal, diretor criativo da marca AHLMA e autor dos livros “Moda Imita a Vida” e “Moda com Propósito”, também presente na palestra, é preciso se reinventar e acompanhar as tendências dos negócios para continuar na disputa: “Os modelos antigos não funcionam mais. O público está consumindo diferente, e a maioria das marcas ainda estão presas nessa coisa de loja de shopping”.

Marca de acessórios só vende pelo Instagram

Um exemplo de novo modelo de negócio é a marca Pernambucana da Gema, presente pela segunda vez no outlet do Veste Rio, que está aberto neste fim de semana (14 e 15/04) com descontos imperdíveis em roupas e acessórios. Carolina Santos, 27 anos, é a empresária à frente da marca criada pela mãe, Lindonice de Brito, uma pernambucana que mora no Rio há 20 anos. Lindonice é a responsável pela criação de bolsas, chapéus, sandálias e outros acessórios. Tudo feito a partir da palha. Juntas, elas tocam o negócio que existe há dois anos e pode ser encontrado apenas através do Instagram. “Vendemos nossos produtos pelo Instagram. Ainda não temos site. Mas depois da primeira participação no outlet, decidimos voltar a investir aqui porque tivemos muitas visualizações e isso impulsionou a marca no aplicativo também”, contou a empresária.

De fato, segundo Barbieri ressaltou, é importante ficar atento aos detalhes para conseguir sucesso e prosperar: “Para alcançar um objetivo não basta ser criativo. Tem que se virar nos 30 e saber gerir o próprio negócio”. Além dele e de Carvalhal, a palestra reuniu ainda e a dupla da marca KiteCoat: Paula Lagrotta e Alexandre Rezende. Alguns dos principais pontos levantados por eles foram a sustentabilidade e a forma de consumo consciente, um assunto que está em expansão no mercado. A ALHMA, por exemplo, reaproveita os materiais inutilizados para criar a sua própria coleção, enquanto a KiteCoat transforma pipas de kitesurf que já perderam seu tempo útil de vida no esporte em casacos. “Não produzimos nada novo. Nós usamos o conceito de reuso”, conta o diretor da ALHMA.

Empreendedores discutiram novos modelos de negócios em palestra do Veste Rio.

Dessa forma, os modelos de negócio recriam o cenário: agora eles rendem e são sustentáveis. Nesse quesito, é importante também destacar como o propósito de uma marca impacta diretamente na comunidade que ela pretende alcançar e como se espalha a sua ideia e maneira de consumir. Para Paula Lagrotta, a KiteCoat conseguiu compreender o funcionamento desse conceito e se beneficiar como deseja: “A gente aprendeu que o propósito posiciona. Quando contamos nosso propósito, ao entrar na AHLMA, que é um hub de inovação, diversas pessoas vieram até nós de forma orgânica. Diversos famosos compraram o nosso produto. O desafio é muito maior que o lucro que esse negócio vai nos entregar, é sobre contar a história desse nosso propósito”. O Sebrae RJ levou oito marcas sustentáveis para o evento também.

Zona Portuária, palco ideal

Além de oferecer um salão de negócios, palestras, oficinas e outlet (veja aqui a programação completa), o Veste Rio, realizado nos Armazéns 2, 3 e 4 do Pier Mauá, coloca holofote sobre a Zona Portuária. André Carvalhal ressaltou a importância do evento na área: “Pela falta de espaço e pelo crescimento da cidade, faz todo sentido pegar um lugar como o Porto, que tem muita história e uma área extensa e de fácil acesso, tanto para zona norte quanto para zona sul”. Oferecendo descontos de 50 a 70% no outlet, a Pernambucana da Gema também é só elogios para o Porto Maravilha. Para Carolina, o Veste Rio traz grandes vantagens por conta da divulgação e do local: “Eu tenho tudo quanto é tipo de cliente aqui. Tem estrangeiro, tem excursão, tem uma visualização muito grande. A Praça Mauá é ótima para receber esse evento, já que há muitos turistas”.