Vendas de imóveis crescem, mas materiais preocupam | Diário do Porto

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Vendas de imóveis crescem, mas materiais preocupam

Imóveis sofrem com a falta e alta de preços dos materiais, segundo a CBIC. Dados da FGV apontam crescimento de até 50% no preço de alguns materiais

22 de fevereiro de 2021
Imóveis populares do Casa Verde Amarela tiveram queda nos lançamentos e vendas (foto: Agência Brasil / Marcelo Frazão)

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Houve aumento de 9,8% no número de imóveis vendidos em todo o país em 2020, em comparação com 2019, com crescimento de 16.955 unidades. Os dados fazem parte de pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da Confederação Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Apesar desse resultado positivo, a pesquisa é reticente quanto ao futuro e alerta que a falta ou o alto custo de materiais foi o principal problema enfrentado por empresas de construção de imóveis, no final do ano passado.

A sondagem identificou que 50,8% dos empresários do setor de imóveis apontaram esse como o principal desafio no 4º trimestre de 2020. A reclamação está de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas, que mostram alta de 19,6% nos preços dos materiais em 2020, a maior do período pós-real. Alguns materiais chegaram a registrar aumentos superiores a 50% no ano.

A situação afetou principalmente os imóveis do programa Casa Verde e Amarela, antigo Minha Casa Minha Vida. Em relação ao terceiro trimestre de 2020, houve queda de 54,7% para 47,1%, no total de lançamentos, e de 53% para 48,6%, no total de vendas.

Imóveis têm recorde de financiamento

Segundo a CBIC, apesar dos financiamentos de imóveis terem atingido recorde histórico em 2020 (R$ 177 bilhões), com recursos da poupança crescendo 58%, os financiamentos via Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) caíram 5% no mesmo período.

É a primeira vez, desde que o levantamento começou a ser realizado, que a participação do Casa Verde Amarela sobre o total de imóveis lançados e vendidos fica abaixo de 50%.

De acordo com o vice-presidente da área de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, será necessário avaliar se os empresários que trabalham com o programa terão o mesmo apetite de construção diante dos desafios impostos pela alta nos preços dos materiais de construção.

“Nós estamos associando essa redução, principalmente em relação ao 3º trimestre de 2020, às dúvidas do empresário em relação aos preços dos insumos, e não à falta de recursos”, afirma Petrucci.


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