Imóveis

Vendas de imóveis crescem com concentração em São Paulo

90% do déficit habitacional brasileiro é para famílias que ganham até 3 salários mínimos, faixa de imóveis atendida pelo Minha Casa, Minha Vida

3 de março de 2020
Presidente da CBIC, José Carlos Martins, durante lançamento do estudo sobre mercado imobiliário (foto: CBIC / PH Freitas)

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Dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) indicam que o Brasil registrou em 2019 uma alta de 15,45% nos lançamentos e de 9,7% nas vendas de imóveis residenciais novos, em relação a 2018.

Embora os resultados sejam expressivos, a CBIC mostra uma grande concentração em São Paulo. “O aumento das vendas em 2019, apesar de todas as regiões terem iniciado um movimento de crescimento – com exceção do Nordeste -, está localizado em São Paulo, nas classes média e classe média alta”, diz o presidente da CBIC, José Carlos Martins.

Os números integram o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º Trimestre de 2019, realizado desde 2016 pela CBIC e pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Foram analisados os dados de 90 municípios brasileiros, sendo 17 das maiores cidades, como São Paulo, Rio, Belém e Porto Alegre, e 73 outros municípios incluídos em 10 regiões metropolitanas (RM) de capitais, a exemplo de Aparecida de Goiânia, RM de Goiânia, em Goias, e Olinda, RM de Recife, em Pernambuco.

“Vimos crescendo ano a ano”, ressalta o vice-presidente da área Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, ao destacar o aumento dos lançamentos no período de 2016 a 2019.


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O estudo também analisou a participação do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) nas entregas, aquisições e estoque de imóveis residenciais novos, em 25 cidades e regiões metropolitanas do país. O MCMV representou 50,6% dos lançamentos, 45,3% das vendas e 41,9% da oferta final total de casas e apartamentos.

Segundo Martins, “a participação do MCMV em 2019, que estava em torno de 50%, caiu para 45% em função da redução do orçamento do FGTS em cerca de 10%. Já o orçamento da Caderneta de Poupança cresceu em torno de 30%, o que a deixou com uma participação maior de mercado que a do Fundo de Garantia”.

Ele alerta que “90% do déficit habitacional brasileiro está na faixa de até 3 salários mínimos, que é justamente o mercado onde atua o FGTS, que é o Minha Casa, Minha Vida”.

Neste ano, “a expectativa de crescimento do mercado imobiliário é de 10%, mesmo com a redução do FGTS, que deve ser compensada com outras formas de financiamento e aquecimento de outras regiões do Brasil”, afirma Martins.