Velo-City termina com críticas e reflexões sobre mobilidade


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Velo-City termina com críticas e reflexões sobre mobilidade no Rio

Maior conferência do mundo sobre mobilidade urbana sobre duas rodas, que termina nesta sexta (15) no Pier Mauá, debate uso da bicicleta como instrumento de transformação social. Palestrantes e organizadores questionam uso de modais na cidade

14 de junho de 2018

Velo-City 2018 discutiu o poder da bicicleta como meio para reduzir a desigualdade social (Foto: Pablo Pallejos)

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João Lacerda, um dos organizadores do Velo-City Rio 2018
Para João Lacerda, um dos organizadores do Velo-City Rio 2018, bicicleta é instrumento de transformação social (Foto: Pablo Vallejos)

Se a ideia da Velo-City 2018, maior conferência do mundo sobre mobilidade urbana, que termina nesta sexta-feira (15) no Pier Mauá, era inquietar o público, pode-se dizer que conseguiu. Desde o dia 12, dezenas de palestrantes levantaram temas sobre ciclismo como transporte alternativo, futuro da cidade com a tecnologia, a importância da mobilidade enquanto transformação social, entre muitos outros tópicos. Para a organização do evento, a cidade do Rio, principalmente com a existência do Porto, deveria estar mais atenta ao assunto.

De acordo com João Lacerda, um dos organizadores, o objetivo da Velo-City era, de fato, propor ou trazer a promoção do uso da bicicleta no mundo, assim como outros debates acerca de transporte e mobilidade urbana.

“O evento não foi pensado para ser eurocêntrico ou centrado nos países ricos. O estado da arte é promover, para o Rio, iniciativas de transformação social. Esses debates que estão surgindo aqui trazem a bicicleta como instrumento para isso. Ela serve como uma solução de futuro e de presente para civilizações mais ricas e também para as mais pobres”, diz.

Manuel de Araújo, prefeito de Quelimane
Manuel de Araújo, prefeito de Quelimane, cidade de Moçambique, veio para o evento se inspirar em novos projetos (Foto: Pablo Vallejos)

Inspiração para a Pequena Brasil em Moçambique

Para Manuel de Araújo, prefeito de Quelimane, o evento fornece inspiração para todos que querem transformação. Sua cidade, conhecida como “Pequena Brasil” por conta de seu carnaval igualmente festivo, é a mais ciclística de Moçambique. “Quero fazer com que Quelimane cresça e quero atingir isso com a bicicleta. Vim buscar ideias e já fechei parcerias para viabilizar um futuro diferente”, disse.

A palestra de Quelimane, no penúltimo dia do evento, mobilizou o público presente. Na opinião de Lacerda, trouxe reflexões fortes para o Brasil e para o Rio. “Quando o Manuel vem ao evento e diz que os cidadãos de ‘Pequena Brasil’ deixam de andar muitos quilômetros para pegar água porque contam com uma bicicleta, isso é acesso à vida”, afirma o organizador.

Lacerda avalia: “Nossos governantes estão fabricando uma cidade menos humana, ou seja, sentada dentro de um automóvel, atrás de um volante. Queremos sugerir a bicicleta, a caminhada e outras possibilidades. Há uma série de ideias circulando, como a integração social, benefícios ao meio ambiente, e por aí vai… A cidade do Rio perde a oportunidade de promover o uso da bicicleta.”

Grafifeito Alemão mostra sua arte durante a Velo-City
Grafifeito Alemão mostra sua arte na Velo-City e avalia a mobilidade: nota 3 (Divulgação)

Grafiteiro dá nota 3 para a cidade e a região

Paulista de Assis, no interior de São Paulo, o artista Anderson Ferreira Lemes, o Alemão, foi convidado pela Velo-City para grafitar ao vivo um painel sobre ciclismo. Ele, que é amante da bicicleta, quando questionado sobre nota de zero a dez para a cidade do Rio e região portuária para o ciclismo, respondeu: “Três. Nota três, porque ainda tem muita ‘malha’ para explorar.”

No espaço, ele faz uma ‘Live Painting’, performance em que desenvolve sua arte diante do público, com a temática da bicicleta, estrela principal de suas obras que ganharam o mundo. O meio de transporte exaltado por Alemão remete ao desejo de liberdade que nos torna humanos. As imagens trazem essa possibilidade dentro de uma estética em que a cor possui, também, um papel primordial.

“Estive em Londres e conversei com pessoas ali para falar sobre bicicletas como ferramentas de transformação urbana. Uma pessoa, então, me disse que a cidade não se preocupa com a bicicleta em si, mas com a vida que está em cima da bicicleta. A bicicleta, na verdade, a gente tem que olhar como vida”, diz o artista.

A Velo-City Rio 2018 termina nesta sexta-feira (15), no Armazém 3 do Pier Mauá. Mais informações: www.velocity2018.com

Colaboração de Pablo Vallejos para o DIÁRIO DO PORTO.


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