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Velo-City 2018: Rio capital mundial da bike

O Rio de Janeiro entra no mês de junho como a capital mundial das bicicletas. Entre os dias 12 e 15, a cidade com a maior rede de ciclovias do país receberá a Velo-city 2018, com 2 mil pessoas unidas na defesa da mobilidade urbana não poluente. Conheça o evento.

5 de junho de 2018

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ciclistas pedalam em direção ao Aterro do Flamengo (Velo-city)
Ciclistas em Botafogo, no Aterro do Flamengo: Rio sediará a Velo-city 2018

Muitos cariocas ainda não se tocaram, mas o Rio de Janeiro entra no mês de junho como a capital mundial das bicicletas. Entre os dias 12 e 15, a cidade com a maior rede de ciclovias do país receberá a Velo-city 2018, com 2 mil pessoas unidas na defesa da mobilidade urbana não poluente. É provável que os ciclistas se espalhem por aí, encantados pelas belezas cariocas, mas o coração da maior conferência de ciclo-mobilidade do planeta será no Píer Mauá, no Porto Maravilha. 

O Brasil ainda tem muito a caminhar para compreender e valorizar a bicicleta no dia-a-dia, mas temos avançado. Segundo o estudo “Economia da Bicicleta no Brasil”, da Aliança Bike e do Laboratório de Mobilidade Sustentável da UFRJ, os ciclistas brasileiros que deixam o carro na garagem fazem com que, por ano, 385.216 toneladas a menos de monóxido de carbono sejam despejadas no ar em todo o país.

Cada um dos mais de 8 mil ciclistas do país que usam a bicicleta no lugar do carro como meio de transporte deixa de emitir 4,4 quilos de gás carbônico por ano, mais de dez por cento do que fazem os usuários de ônibus (41,9 quilos). Para chegar ao número de ciclistas no Brasil, os pesquisadores tomaram como base o Censo de 2017 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e um levantamento feito pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) que estima que 4% da população usa a bicicleta como meio de transporte.

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O trabalho analisou o comportamento de 968 ciclistas no Rio de Janeiro que utilizam a bicicleta com frequência. Para fazer uma medição precisa em relação a tempo e distância percorridos, foi catalogado o tempo médio de deslocamento diário deles em quatro tempos: 10 minutos ou menos, 10 a 30 minutos, 30 a 60 minutos e 60 ou mais minutos, levando em conta que o intervalo de 10 a 30 minutos é equivalente a 5 quilômetros. A média de distância percorrida por esses ciclistas em um ano foi de 1.180.536 quilômetros.

Levando em consideração que a média de consumo de um carro popular é de 9 quilômetro por litro de gasolina, e o de ônibus é de 3 km/l de diesel, o estudo projetou para o país uma economia na emissão de gases poluentes de 385.216 toneladas por ano com o uso da bike. Tudo isso considerando apenas a emissão de monóxido de carbono, fora os outros tipos de poluentes.

Na última Conferência Mundial do Clima, em 2016, em Genebra, foi adotado um novo acordo entre 195 países, com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e o Brasil comprometeu-se a diminuí-los em 37% até 2025 e 43% até 2030. É uma meta ambiciosa, e os ciclistas são atores fundamentais para que o Brasil consiga cumpri-la. Ao chamar atenção para o tema, a Velo-city dará uma contribuição importante.

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A conferência Velo-city apresenta conexões com educação, transporte, turismo, lazer, cultura, inovação, sustentabilidade e políticas públicas. Haverá debates, plenárias e palestras com grandes nomes da mobilidade por bicicletas. Serão também apresentados 165 trabalhos acadêmicos, de empresas, prefeituras e organizações da sociedade civil selecionados de vários países. Você pode saber mais na página do evento.  

bicicleta encostada à parede. Velo-city 2018
A bicicleta avança como transporte sustentável (Foto Aziz Filho)

A Velo-city é uma realização da Federação Europeia de Ciclistas (ECF – European Cyclists’ Federation) em parceria com a Prefeitura do Rio, representada pela Riotur. “Depois de realizar a Velo-city na Europa, América do Norte, Austrália e Ásia, o Conselho da ECF tomou uma decisão unânime de promover uma edição sul-americana da Velo-city: e o Rio foi a escolha mais evidente”, afirma o presidente da ECF, Manfred Neun.

O prefeito Marcelo Crivella esteve na última edição do evento, na Holanda, quando recebeu as chaves como anfitrião da edição de 2018. “Pude sentir de perto o amor dos holandeses pela bicicleta”, disse Crivella. É, segundo ele, “um meio de transporte saudável, não poluente e sustentável, excelente alternativa para nossa cidade”. O presidente da Riotur, Marcelo Alves, de olho no potencial turístico do evento, completa: “A bicicleta é a cara do Rio e queremos apresentar ao mundo nosso potencial para o cicloturismo e como esse meio de transporte está incorporado ao nosso cenário.”

Plenárias em destaque – A Velo-city terá oito sessões plenárias de destaque, duas por dia, e várias sessões paralelas, oito dedicadas à pesquisa científica sobre a bicicleta como meio de transporte. É o Scientists for Cycling, um compilado de trabalhos selecionados pela ECF em parceria com a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), apresentados por estudiosos de todo o mundo. Mais de 300 trabalhos foram enviados, o que resultou na seleção de 165 palestrantes de 34 países pela organização carioca Transporte Ativo.

Na plenária “Cidade pra crianças, cidade pra todos”, a ativista Livia Suarez apresentará o projeto La Frida, que estimula a representatividade feminina na mobilidade urbana, inspirado na vida de mulheres negras nas periferias de Salvador. O presidente da associação Equaticity, o americano Olatunji Reede, falará sobre o tema racial nos subúrbios negros de Chicago e o uso da bicicleta como ferramenta de inclusão social. Já a italiana Eliana Riggio, ex-secretária-geral da UNICEF, , abordará o desenvolvimento de políticas públicas para a construção de cidades seguras, saudáveis e justas para as crianças.

Outro tema das plenárias serão “Os desafios das Megacities”, sobre obstáculos e oportunidades para o desenvolvimento de um sistema de mobilidade sustentável nas megacidades. A mesa terá as subsecretárias de Mobilidade da Cidade do México, Laura Ballesteros, e de Buenos Aires, Paula Bisiau; o secretário municipal de Transporte de São Paulo, Sérgio Avelleda; e a pesquisadora Anvita Arora, de Nova Deli.

A plenária “O poder e benefício econômico do cicloturismo” abordará o benefício econômico do turismo sustentável. Vão discutir o tema o diretor de Advocacia e Eurovelo da Federação Europeia de Ciclistas, Adam Bodor; e os presidentes da Comissão Europeia de Turismo, Peter de Wilde, e da Riotur, Marcelo Alves. A última plenária é sobre “Governança”, um encontro de políticos sobre o desenvolvimento de sistemas de transporte e mobilidade inclusivos, eficientes e saudáveis. Carolina Toha, ex-prefeita de Santiago; a subprefeita de Sustentabilidade de Copenhagen, Ninna Hedeager; e o prefeito Crivella farão parte.

A plenária “Políticas globais” contará com as principais entidades mundiais: o Banco Mundial e a ONU, representadas por suas agências OMS (Organização Mundial da Saúde) e UN Habitat, e SUM4ALL (Mobilidade Sustentável para Todos). O enredo dessa plenária é focado na importância da bicicleta para alcançar melhores políticas de desenvolvimento urbano sustentável.

Mais atividades

– Feira de Expositores – Reúne estandes de empresas privadas, órgãos públicos e associações, apresentando produtos, iniciativas e serviços inovadores ao público da Velo-city. É a primeira vez que a feira e a conferência dividem o mesmo espaço, facilitando a circulação dos participantes e incorporando as atividades.

– Workshop – No dia 14, o prefeito Crivella recebe representantes de órgãos públicos e organizações mundiais como a UNICEF, OMS e ONU-Habitat, em um workshop no Museu do Amanhã para debater temas como governança e políticas públicas sobre o transporte cicloviário.

– Bike Parade – No dia 13 de junho, os participantes farão uma Bike Parade pela cidade, partindo do Porto Maravilha em direção ao Aterro do Flamengo, com participação aberta também para o publico. Não é um percurso difícil: tem apenas 6 quilômetros. 

Entenda a Velo-city

A Velo-city começou em 1980, em Bremen, na Alemanha e inspirou a criação da Federação Europeia de Ciclistas (ECF), em 1983, atual organizadora do evento. A Velo-city acontece todo ano em cidades que investem em ciclovias e na cultura do ciclismo como transporte e meio de vida. As próximas cidades-sede serão Dublin (2019) e Cidade do México (2020).

Edições anteriores

2017 – Arnhem and Nijmegen, Holanda

2016 – Taipei, Taiwan

2015 – Nantes, França

2014 – Adelaide, Austrália

2013 – Viena, Áustria

2012 – Vancouver, Canadá

2011 – Sevilha, Espanha

2010 – Copenhague, Dinamarca

2009 – Bruxelas, Bélgica

2007 – Munique, Alemanha

2005 – Dublin, Irlanda

2003 – Paris, França

2001 – Edimburgo e Glasgow, Escócia

1999 – Graz, Áustria, e Maribor, Eslovênia

1997 – Barcelona, Espanha

1996 – Ferrara, Itália

1995 – Basel, Suíça

1993 – Nottingham, Inglaterra

1992 – Montreal, Canada

1991 – Milão, Itália

1989 – Copenhague, Dinamarca

1987 – Groningen, Holanda

1984 – Londres, Inglaterra

1980 – Bremen, Alemanha

Próximas edições

2019 – Dublin, Irlanda

2020 – Cidade do México, México

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