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Vamos impedir que o aeroporto Santos Dumont mate o Galeão

Em artigo, Luis Claudio Souza Leão, do Coalizão Rio e do Clube Empreendedor, diz que o Rio tem que reagir contra o modelo de privatização do Santos Dumont

18 de abril de 2021

Galeão tem Frente de Defesa para fortalecer o hub aéreo internacional do Rio (foto: Galeão / Divulgação)

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Luis Claudio Souza Leão

É inadmissível o modelo apresentado pelo Governo Federal para a concessão do aeroporto Santos Dumont à iniciativa privada. Da forma como está, a concretização do processo inviabilizará o hub aéreo internacional no Galeão e transformará o Estado do Rio em eterno mercado secundário, tornando-se um apêndice de São Paulo.

O modelo definido pelo Ministério da Infraestrutura procura valorizar o Santos Dumont aos olhos dos investidores, por meio da manutenção de inúmeros voos nacionais e, maior absurdo, pela abertura a voos internacionais. Só assim, imaginam, podem usar o aeroporto mais antigo do Rio como âncora que sustente a privatização consorciada com outros aeroportos sem rentabilidade em diferentes Estados. Ou seja, querem sacrificar o futuro do Rio, para garantir o presente de Papai Noel de terceiros.

É preciso que o empresariado e o Governo do Rio façam o Governo Federal entender que o nos interessa é a consolidação de um hub aéreo no Aeroporto Internacional do Rio, o Galeão. Isso demanda que sejam transferidos para lá a maior parte dos voos que hoje estão no Santos Dumont e que ele se torne um aeroporto destinado à ponte aérea e a voos corporativos e regionais.

Ou seja, que se retorne à situação existente antes de 2009, quando a Anac (Agência Nacional da Aviação Civil) desregulou o mercado aéreo no Rio, permitindo o crescimento de voos no Santos Dumont. Naquela época, o Brasil vivia um período áureo de crescimento, com a ascensão econômica de várias camadas da população e com uma demanda nunca antes vista nos aeroportos do país. Se naquele cenário havia uma justificativa para a decisão da Anac, isso passou a não valer mais, notadamente a partir da crise continuada que o país começou a viver, depois de 2016.

É urgente que se regule novamente os voos no Rio. Sem isso o Galeão perde as conexões que poderiam trazer passageiros de outros Estados para seus voos internacionais. Ele foi durante décadas o aeroporto de entrada e saída do Brasil, justamente porque concentrava esse grande fluxo de passageiros. Hoje, com a maior parte dos voos nacionais passando pelo Santos Dumont, o Rio tornou-se alimentador de hubs aéreos em outros Estados, principalmente em São Paulo.

Com a volta da regulação, o Galeão, bem explorado, vai se tornar um grande motor de crescimento econômico do Rio. Vai alavancar e potencializar o turismo, logística de carga de valor agregado, como do e-commerce e outros segmentos.

O Galeão, hoje com 8 mil empregos diretos, tem capacidade de gerar cerca de 21 mil. Além disso é fator para a geração e manutenção de cerca de 160 mil empregos em indústrias relacionadas, a grande maioria (113 mil empregos) na hotelaria e nos serviços, na cidade do Rio e no Estado.

Pesquisas mostram que, a cada R$ 1 de valor adicionado pelas atividades econômicas no Galeão, há acréscimo de R$ 3,2 no PIB do Estado do Rio de Janeiro, por meio das cadeias produtivas que utilizam o aeroporto.

É claro que para o Galeão dar certo é preciso que o Governo do Rio e a Prefeitura façam a lição de casa, garantindo segurança e rapidez no trajeto ao aeroporto. É preciso cuidar das vias, impedir o crescimento desordenado das ocupações ilegais e fazer o trivial, que inclui iluminação, asfalto e limpeza. Não é pedir muito. É pedir o mínimo necessário. Uma ideia a se pensar é a criação de uma faixa da Linha Vermelha para uso exclusivo ao acesso ao Galeão. Quem trafegar por ela e não for ao aeroporto poderá ser multado por controle de câmeras.

Minas Gerais é um exemplo do que deve ser feito no Rio. Lá houve restrição aos voos no aeroporto central de Pampulha e concentração no aeroporto internacional de Confins. A fórmula resultou em ganhos econômicos ao Estado vizinho.

Tanto que na privatização agora pretendida pelo Governo Federal, para sustentar os aeroportos de baixa rentabilidade do interior mineiro, não se pensa em colocar Pampulha como âncora restituindo-lhe os voos perdidos. No lugar de Pampulha, o Governo Federal quer o Santos Dumont sustente o sistema.

Só pode ser brincadeira. E de mau gosto.


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