Uso de penas naturais pode ser proibido no Carnaval | Diário do Porto


Sustentabilidade

Uso de penas naturais pode ser proibido no Carnaval

O objetivo é desestimular uma atividade econômica que impõe sofrimento às aves. Multas vão de R$ 5 mil a R$ 2milhões, progressivamente

3 de maio de 2019

Mangueira quer escolha de samba diferente este ano (foto DiPo)

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A Câmara dos Deputados pode aprovar um Projeto de Lei que proíbe a utilização de penas e plumas de origem animal para a produção de fantasias e alegorias. A lei terá forte impacto principalmente para os desfiles de Carnaval, nos quais as rainhas de bateria e destaques costumam fazer grande uso desses materiais.

As multas para as infrações à nova lei poderão variar de R$ 5 mil a R$ 2 milhões, aplicadas progressivamente em caso de reincidência, conforme informa o setor noticioso do site da Câmara.

O objetivo é desestimular uma atividade econômica que impõe sofrimento às aves. Segundo associações de protetores, a retirada das penas é feita de forma cruel, com os animais vivos. Muitos são criados exclusivamente para essa finalidade, submetendo-se periodicamente ao método doloroso, que causa sangramentos e os expõem a doenças. Esse é ocaso dos avestruzes, que têm expectativa de vida de 40 anos e chegam a sofrer a depenação a cada quatro meses.

O autor da Projeto de Lei, deputado federal Célio Studart (PV-CE), afirma que a continuidade dessa prática é inadmissível. “Não se deve aceitar, em pleno século 21, o uso de partes do corpo de animais para fazer adereços de fantasias”, declarou.


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Ele propõe que as escolas de samba e outras entidades que utilizam penas para fins decorativos ou produção de fantasias passem a usar exclusivamente materiais sintéticos, de origem industrial.

No ano passado, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou uma lei estadual que proíbe a produção e a comercialização de qualquer produto feito com penas de aves criadas apenas com essa finalidade.

Ou seja, a lei paulista é mais ampla em seus efeitos, pois proíbe a produção ou o comércio de travesseiros de penas de ganso, por exemplo, porém abre brechas à continuidade do uso das plumas, caso as aves sejam abatidas para o consumo de suas carnes.

O deputado estadual Rogério Nogueira (DEM-SP), autor da lei, disse que é preciso combater o sofrimento dos animais. “Animais são depenados vivos, causando-lhes imenso sofrimento. Esse torturante processo repete-se em todos os verões, quando as aves renovam as suas plumagens”, afirmou.

No Carnaval paulistano, há três anos a Águia de Ouro desfila sem utilizar penas e plumas naturais, fazendo uma campanha pela substituição por materiais sintéticos. Em contraste, no recente desfile de 2019, a Império da Casa Verde exibiu um destaque de carro com uma fantasia feita com 4 mil penas de faisão. O custo foi estimado como equivalente ao de um carro popular. O destaque lembrava uma personagem dos estúdios Disney, a Malévola. Faz sentido.

 


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